Monte Nebo

O Monte Nebo é o lugar do qual Moisés contemplou a Terra Prometida, sem poder nela entrar. O Nebo surge a 8km, a noroeste de Madaba, nos contrafortes ocidentais dum planalto com vários picos, delimitado ao Norte pelo Wadi Uyun Musa, “vale das fontes de Moisés”, e, ao Sul, pelo Wad Afrit. O ponto mais elevado à direita da estrada – onde foram erguidos alguns dólmens – é o Nebo verdadeiro e exato, em árabe  Jebel an-Neba (802m de altura). O monte Pisga, do qual fala a Bíblia (Ras Siyagha) é, ao invés, mais estendido ao oeste, contudo mais baixo (710m). Num declive mais meridional, o Khirbat al-Mukhayyat (790m), estava a cidade de Nebo. 

Na Bíblia, o monte Pisga é citado em dois contextos diferentes. No primeiro caso, o rei moabita Balak é citado em dois diferentes contextos. No primeiro caso, o rei moabita três vezes convencer o vidente Balaam a amldizer os israelitas, mas cada vez obtém o efeito contrário. Na segunda tentativa tem como cenário o Monte Pisgá:  

Balaq disse a Bileâm: ‘Que me fizeste? Chamei-te para amaldiçoar meus inimigos e eis que os cobres de bênçãos!” Bileâm respondeu: “Quando falo, não devo ater-me ao que o Senhor põe em minha boca?” Balaq retrucou: “Vem, pois, comigo a outro lugar de onde verás esse povo – tu não vias mais que uma parte dele, não o estavas vendo por completo – e deste lugar, amaldiçoa-o por mim!” Levou-o a um ponto de observação no cume do Pisgá, costruiu sete altares e ofereceu um novilho e um carneiro sobre cada altar. Bileâm disse-lhe: “Permanece em pé junto ao teu holocausto, enquanto eu vou ali esperar...” O SENHOR veio ao encontro de Bileâm, pôs-lhe na boca uma palavra e depois disse: “Volta para junto de Balaq; é assim que falarás”. Bileâm voltou para junto Balaq e o encontrou de pé junto a seu holocausto com os dignitários de Moab. Balaq lhe perguntou: “Que disse o SENHOR?” Então, Bileâm proferiu seu encantamento nestes termos: “Levanta-te. Balaq. Escuta! Dá-me atenção, filho de Sipor. Deus não é um homem, para que minta! Nem um filho de Adão, para que se retrate. Acaso ele fala para depois não agir? Diz ele uma palavra para depois não executá-la? Recebi o encargo de abençoar, pois ele abençoou, e não me retratarei. Não se observa calamidade em Jacó, não se vê sofrimento em Israel. O SENHOR, seu Deus, está com ele; no meio dele é aclamado o rei. Deus o fez sair do Egito; ele possui a força do búfalo. Não há augúrio em Jacó, nem adivinhação em Israel: No devido tempo diz-se a Jacó, a Israel, o que Deus faz (Núm 23,11-23).

Não foram, contudo, identificados os outros dois pontos de onde Balak tentou obrigar Balaam de jogar maldição sobre Israel: «Kiriat-Cusot» (Núm 22,39) e o “cume do Peor” (Núm 23,28). Porém, é interessante o fato que o Pisga é definido “campo do explorador” (a tradução da CEI não traduz o termo, mas escreve “campo do Sofìm»,) que corresponde à sua conformação natural, saliente em forma de balcão. Mas, o Pisga tem um papel bem mais importante no segundo contexto em que a Bíblia o cita. Moisés, na verdade, não poderá pôr os pés na Terra Prometida, poderá somente contemplá-la dali. 
Neste mesmo dia, o SENHOR disse a Moisés: Sobe nesta montanha da serra dos Abarim, no Monte Nebô, que está na terra de Moab, diante de Jericó, e olha a terra de Canaã, que hoje dou como propriedade aos filhos de Israel. Depois morre na montanha à qual tiveres subido para que te reúnas à tua parentela – como teu irmão. Aarão, que morreu em Hor-a-Montanha, e se reuniu à sua parentela – pois, vós cometestes uma infidelidade contra mim, entre os filhos de Israel, nas águas de Meribá-de –Qadesh, no deserto de Sin, quando não reconhecestes minha santidade no meio dos filhos de Israel. Verás esta terra diante de tua fac, mas não entrarás nesta terra que eu dou aos filhos de Israel”. (Dt 32,48-52).


No momento da execução dessa ordem divina, é o texto mesmo que fornece uma precisão relativa ao Monte Pisgá: 
Moisés subiu  das estepes de Moab ao monte Nebô, no cume da Pisgá, diante de Jericó e o SENHOR lhe fez ver toada a terra: o Guilead até Dan, todo Neftali, a erra de Efraim e de Manassés e todo o território de Judá até o mar ocidental, o Négueb e o Distrito, o vale de Jericó, cidade dos palmares, até Sôar. E o SENHOR lhe diz: Eis a terra que prometimem juramento a Abraão,a Isaac e a Jacó, dizendolhesÉu dou à tua descendência´ . Eu faço com a vejas com teus próprios olhos, mas não aravessarás para lá!” E Moisés, o servo do SENHOR, ali morreu, na terra de Moab, conforme a declaração do SENHO. E ele o enterrou no vale, na terra de Moab, defronte a Bet-Peor, e até hoje a ninguém foi dado conhecer o lugar de sua sepultura (Dt 34,1-6).

O Nebô-Pisgá, mesmo não sendo expressamente nomeado, voltará à cena no Segundo Livro dos Macabeus. Numa carta enviada aos Hebreus que viviam no Egito, os habitantes de Jerusalém recordam um texto perdido no qual estava escrito que o Profeta Jeremias, antes da destruição do Templo salomônico pela mão dos babilônios, tinha escondido sobre o Monte Nebo a sagrada tenda, a Arca da Aliança e o altar do incenso:

 E que o profeta recomendou aos que eram levados, após lhes haver dado a Lei, que não se esquecessem dos preceitos do Senhor e não se estraviassem nos seus pensamentos, ao verem estátuas de ouro e prata e os ornamentos de que estavam revestidas. Entre outros conselhos do mesmo gênero, exortou-os a não deixar que a Lei se afastasse de seu coração. Contava-se nesse escrito que o profeta, avisado por um  oráculo, fez-se acompanhar pela tenda e a arca, foi à montanha que Mosés subira e de onde contemplara o legado de Deus e que, lá chegando, encontrou Jeremias uma habitação em forma de gruta, introduziu ali a tenda, a arca e o altar de perfumes, feito o que lhe osbstruiu a entrada. Alguns de seus companheiros quiseram ir lá para marcar o caminho com sinais, mas não puderam encontrar. Sabendo disso, Jeremias os repreendeu, dizendo-lhes: “Esse lugar ficará desconhecido até que Deus haja consumado a reunião de seu povo e lhe haja manifestado sua misericórdia. O Senhor mostrará, então, novamente esses objetos, e a glória do Senhor aparecerá com a Nuvem, como se mostrou no tempo de Moisés e quando Salomão orou para que o santo lugar fosse gloriosamente  consagrado (2Mac 2,4-8).

As escavações sobre Ras Siyagha trouxeram à luz, além de seis túmulos, um sobreposto pequeno edifício em forma de cruz, mas talvez de origem précristã: uma espécie de capela sepulcral que, internamente, tem três lados aredondados e belo pavimento de mosaicos. Na ábside central, no quarto século d.C., foi inserido um synthronon (cadeira sacerdotal) e foi acrescentado um vestíbulo. Nesse encontrava-se uma cruz entrançada com mosaico. Na base há uma inscrição, trata-se de “fundação imperial, no tempo dos presbíteros Aléssio e Teófilo”. Outra inscrição fala de restauração feita “na época do muito honorável e devoto Presbítero e Abade Aléssio”.
Numa capela ao lado, à esquerdam foi colocado, em seguida, a um metro de profundidade um batistério bizantino. Um belíssimo mosaico com cenas pastoris e caça, datável pelo ano 531, graças a longa inscrição que corre acima e abaixo. No texto são recomendados ao Senhor não só as autoridades como o “Bispo Elias”, mas trambém os mosaístas «Soelos [= Saúl] e Kaiomos e Elias e suas famílias”.
No VI século, a capela original foi transformada em presbitério de uma basílica, do qual estão bem conservados os simples mosaicos das naves laterias, enquanto que permanece pouco da decoração mosaísta da nave central. Originais são os capitéis, que nos quatro ângulos se desenvolvem em formas que recordam raminhos de mimosa. A velha fonte batismal, que existia no lado esquerdo, foi eliminada, nivelando o espaço segundo o pavimento da basílica e embelezando-o com figuras geométricas com mosaico.
Em 597, foi feito novo batistério no lado Sul (direita) da basílica, sobre a antiga capela sepulcral. No início do VII século, foi acrescentada ao Oeste a capela da Theotokos, a Mãe de Deus. A igreja, então, considerando os acréscimos laterais, media 30 por 37 metros. Bastante incomum, na capela mariana, o mosaico (estragado pelos iconoclastas) diante da ábside, encomendado pelo Bispo Leôncio (603-608): refere-se evidentemente, ao texto de 2 Macabeus, citado acima, mostrando – entre duas gazelas, dois massinhos de flores e duas torres – uma imagem estilizada do templo de Jerusalém ou talvez a ”gruta semelhante a uma casa” (“vazio em forma de caverna” no texto da CEI), encontrada por Jeremias sobre o Nebo. É reconhecível o fogo que sai do altar dos sacrifícios e a mesa para a oferta dos pães dentro de um tabernáculo. A inscrição em Grego traz o salmo 51,21: “Então, imolarão toros (“vítimas” no texto da CEI) sobre teu altar”. A citação desse verseto tem o sentido de recordar que sobre o altar da capela era celebrado o sacrifício da Nova Aliança, que levava ao cumprimento daqueles antigos. Sobre três lados – excepto o frontal a leste da capela original – a igreja era rodeada dos edifícios do mosteiro com notáveis proporções (78 x 82 metros). 
A igreja será identificada com o “memorial de Moisés”, que Egéria quis ir visitar sobre o Nebo com cansativo desvio desde Jerusalém. A peregrina informa a existência de “uma igreja não muito grande em cima do monte  Nabau”, eregida em honra do sepulcro de Moisés. Mas, é difícil explicar-nos a origem do edifício: resta o fato que, segundo a Bíblia, “ninguém até hoje soube onde se acha” o sepulcro de Moisés (Dt 34,6).
É porém compreensível que essa dissuação não bastasse. Um texto apócrifo judaico (A ascensão de Moisés) se esforça para preencher a lacuna. O tema voltará no Novo Testamento, na epístola de Judas (não o Iscariotes), que descreve, deveras, a batalha feita pelo Arcângelo Miguel para obter os despojos do grande líder dos israelitas: Quando o Arcângelo Miguel, em combate com o diabo, discutia para ter o corpo de Moisés, não ousou acusá-lo com palavras ofensivas, mas disse: “Te condane o Senhor!” (Jd 9).

Segundo o biógrafo de Pietro Iberico, o qual veio daquela região, ao redor do ano 430, o lugar da sepultura sobre o Monte Nebo foi achado graças a um pastor que, após uma visão, chegou a uma gruta perfumada e luminosa: ali Moisés jazia como respeitável ancião, com o rosto luminoso, sobre um leito que resplandecia de graça e de glória.
Quando, então, os habitantes do lugar haviam construído uma igreja, o Profeta e Doador da Lei havia demonstrado toda “sua bondade e poder através de sinais, milagres e curas, que, desde então, aconteciam sem interrupção”. A ponto que, na época cristã, o lugar tenha se tornado meta privilegiada de peregrinações. O peregrino alemão Thietmar teria subido até ali, ainda em 1217.
Em 1932, os franciscanos conseguiram adquirir a propriedade do cume do Ras Siyagha e, em 1935, também o  Khirbat al-Mukhayyat. Visto que não se tinham informações precisas sobre qual fosse o Nebo e qual o Pisga, a Custódia da Terra Santa decidiu adquirir a ambos. Essa incrível transação de terras beduinas para mãos estrangeiras foi possível somente graças ao Fr. Gerolamo Mihaic, um franciscano croato, que se encontrava em Jericó e que havia conquistado a simpatia do, então, Emir – depois Rei Abdallah I - graças à sua alegria contagiosa e aos produtos de sua horta (conta-se que certa vez, lhe foi até confiada a guarda do harém!). Foram os Arqueólogos franciscanos Frei Sylvester Saller e Frei Bellarmino Bagatti, do Studium Biblicum Franciscanum, a dirigir as primeira escavações, na vigília da Segunda Guerra Mundial. As pesquisas sobre o Nebo foram, depois, levadas adiante pelo Pe. Frei Michele Piccirillo, entre 1976 e 2008, ano de sua morte.

A vista panorâmica desde o Monte mostra a Terra Prometida como o fez Moisés: do Mar Morto, Heródio, Belém e Jerusalém (distante 46km em linha reta) até o pico pontudo do Alexandreion e Jericó. De noite se vê brilhar as luzes das cidades.
O lugar, com a nova Basílica e ruínas do grande mosteiro bizantino, foi confiado aos cuidados da Custódia da Terra Santa. 

Passado pelo ingresso do lugar, uma lápide comemorativa, alta 6m, recorda a visita do Papa João Paulo II à Terra Santa, em 2000. No lado da frente, em Latim, se lê: “Um só Deus e Pai de todos, acima de todos” (Ef 4,6). No lado Norte, à direita, estão representados os Profetas do Antigo Testamento, que viam o futuro mas em maneirra ainda velada (cfr. 1Pd 1,10-12). Na parte posterior está escrito em árabe: “Deus é amor”, que é “o convite do Céu e a mensagem dos Profetas”. Enfim, no lado Sul, à esquerda, se lê novamente (agora em Grego): “Deus é amor” (1Jo 4,8). Acima está o brasão da Custódia da Terra Santa.
No pequeno museu estão expostos, além dos modelinhos e tábuas ilustrativas, alguns restos menores – sobretudo cerâmica – e duas pedras miliares da estrada romana que ia de Heshbon  a   Lívias  (hoje,  Tell  ar-Rame), perto do lugar do Batismo de Jesus, no Jordão, ao Norte.
Na coluna central, num grupo de três, está o precioso mármore branco e preto, proveniente de mina imperial, ou melhor, provavelmente foi presente do imperador (Constantino?) à comunidade cristã do lugar.
Na basílica bizantina foram encontrados mosaicos em três camadas, às vezes, até com quatro camadas. Que, ao todo, cobriam uma superfície de 700 metros quadrados. Foram colocados em segurança e destacados. Agora, quase todos estão expostos no interior da basílica nova. 

A nova basílica

Desde 1963 foi começada a reestruturação da basílica, inicialmente a simples finalidade era a de cobrir os restos do memorial dedicado a Moisés, e depois (desde 2008) foi começada a reestruturação para que pudesse servir ao mesmo tempo de santuário, museu e espaço para as antiguidades.
Os trabalhos, completados em 2016, diminuiram de ritmo, primeiramente, pela morte do Arqueólogo e chefe Frei Michele Piccirillo, depois pelo desenvolvimento de novas técnicas de conservação, ou melhor, pela descoberta da antiga técnica em mosaicos. Na verdade, foi demonstrado que os métodos de fixar com cimento as tésseras, método utilizado nos anos ’60 e ’70, após tempo, danificam a obra, enquanto o método da argamassa de cal leva mais tempo para solidificar-se, contudo resiste mais tempo.
A nova igreja é mais ampla que a anterior, a bizantina, assim também engloba vãos adjuntos e capelas laterais. Corresponde, contudo, ao original não costumeiro presbitério com três ábsides, em forma de trifólio. Na camada pétrea inferior (a original), nota-se que elementos arquitetônicos haviam sido utilizados como materiais de um edifício anterior, cvomo, por exemplo, uma base de coluna, que agora acabou de cambalhota. Infelizmente nada se sabe dessa estrutura original, porque achados daquela época são raríssimos. Poderia tratar-se de construção pagã, mas também de memorial hebraico ou samaritano em honra de Moisés. De fato, foram encontrados restos de inscrição samaritana, mas quase incompreensível, hoje conservados em Jerusalém, no museu do Studium Biblicum Franciscanum.
Os vitrais da ábside, que pertencem à primeira versão da igreja, mostram à esquerda Moisés e Aarão, com água que brota da rocha (Êx 17,1-6); no centro, Moisés intercede pelo povo, sustentado por Aarão e Hur (Êx 17,8-13); à direita, a morte de Moisés, aqui sobre o Monte Nebo. Na nave central, durante os trabalhos, foi feito importante achado, por acaso: um túmulo jamais utilizado, no sentido que é muito pouco profundo e não mostra traço algum de inumações. Para esse túmulo foi utilizado alabastro de um monumneto mais antigo (herodiano?). Se estava quase certo de haver posto as mãos sobre o “sepulcro de Moisés”, descrito pela peregrina Egéria:

Nessa igreja, lá onde se eleva o ambão, notei uma zona um tanto elevada, nas dimensões mais ou menos de um túmulo. Perguntei àqueles santos homens do que se tratava e me responderam: “Aqui São Moisés foi deposto pelos anjos. Já que, como está escrito [Dt 34,6], ninguém sabe onde se encontra seu túmuo, então foram certamente os anjos”.

Para reorganizar os mosaicos foi seguido este critério:  dos diferentes tipos de mosaicos, a parte melhor conservada ou mais ricamente decorada foi recolocada no lugar original. Os outros mosaicos foram colocados nas paredes, no ponto mais vizinho possível. Assim quase todas as obras, pertencentes a diferentes fases da História do edifício, encontraram lugar na nova basílica.

A escultura moderna

A escultura moderna, que é vista no espaço diante da igreja, foi realizada em 1983-84, pelo artista florentino Gian Paolo Fantoni: a serpente de bronze levantada por Moisés no deserto está enleada numa haste moldada em forma de cruz. O artista, assim, liga a história do Antigo Testamento com a Cristologia, como o fez o evangelista João. Na realidade não é claro onde foi levantada a serpente de bronze, durante o Êxodo, e nem a vizinhança do Monte Hor ajuda a resolver o enigma.

Partiram de Hor-a-Montanha pelo caminho do Mar dos Juncos, contornando a terra de Edom, mas o povo perdeu a coragem pelo caminho. O povo se pôs a criticar Deus e Moisés: “Por que nos fizestes subir do Egito, para morrermos no deserto? Pois aqui não há nem pão nem água, e estamos enjoados deste alimento de miséria!” Então o Senhor  enviou contra o povo serpentes abrasadoras que o morderam, e morreu muita gente em Israel. O povo foi ter com Moisés, dizendo: “Pecamos ao criticar o Senhor e ao criticar-te a ti, intercede junto ao SENHOR para que afaste de nós as serpentes!” Moisés intercedeu pelo povo e o SENHOR lhe disse: “Manda fazer uma serpente abrasadora e fixa-a numa haste: todo aquele que for mordido e olhar para ela, terá sua vida salva". Moisés  fez uma serpente de bronze e a fixou numa haste; e quando uma serpente mordia um homem, este olhava a serpente de bronze e tinha sua vida salva (Núm 21,4-9).

A cidade do Nebo se identifica, hoje, com o cume do Khirbat al-Mukhayyat, em Árabe: “ruínas do Acampamento”, a dois quilômetros de Ras Siyagha. Os sepulcros presentes às margens da colina vem desde Segundo milênio a.C. Na Bíblia, Nebo era habitada por criadores de animais (Num 32,1-4.37-38) e é elencada entre as cidades destinadas  a tribo de Rúben. Foram identificadas construções da idade herodiana. Na época do Bispo Eusébio (inícios do IV século), Nebo era um vilarejo abandonado, que teria renascido no V século. Parece que no VI século até houvesse bem-estar.
Nos anos que precederam a Segunda Guerra Mundial, aqui foram encontradas quatro igrejas. 
Uma é dos santos Lot e Procópio. A fim de proteger suas ruínas foi construído um edifício de pedras, que a cobre. Do culto «leitor» (Professor) Procópio de Scitópolis (hoje: Bet Shean) sabemos, por meio de Santo Eusébio, que Procópio foi decapitado em Cesareia, em 303, como primeira vítima das perseguições de Dioclesiano. O mosaico da igrejinha (16 x 8,5 metros, mais ou menos), uma das mais vivazes e melhor conservadas de toda a Terra Santa, foi descoberta já em 1913, durante os trabalhos de construção de uma casa. Em vinte medalhões desenhados por viticultores é narrada em detalhes a vida da zona: caça, pastoreio, viticultura. A parte mais interna (a oeste), o mosaico mostra, ao invés, árvores frutíferas, lebres, cervos mas também o altar dos holocaustos de Jerusalém com duas torres  e o verso do salmo 51,21: “Então imolarão touros sobre teu altar”, como na capela Mãe de Deus sobre o Monte Nebo. 
Em 1935, no alto da colina foi descoberta a pequena igreja de S. Jorge, com três naves (12 x 12,5 metros). Construída durante o episcopado de Elias, no ano 536, fazia parte de um complexo monástico e possuia uma cisterna, colocada sob o presbitério. Bem conservado se encontra o pavimento em mosaico. 
A leste, nas encostas do Wadi Afrit (do ingresso do lugar arqueológico, olhar à esquerda, embaixo), foi escavada a assim chamada “igreja de Amos e Kasiseos”. Não se sabe a quem tenha sido dedicada; o nome é o dos fundadores, indicados nas cadeiras do coro, que foram reutilizadas numa casa particular árabe. Deve ser essa a igreja mais antiga da zona. Ao seu lado surgira uma dependência com dois pavimentos com mosaico sobreposto. Os temas são novamente caça, pastoreio e vida de agricultor. Hoje, não é visível a figura feminina que simbolizava a Terra, porém ainda é bem legível a inscrição no timpanilho, entre pavões, galos e quatro grossas colunas: “Para a salvação, como doação de teus servos Sérgio, Estêvão e Procópio, Porfíria, Roma e Maria, e o monge Juliano”. O mosaico é obra dos mesmos artistas que trabalharam na igreja dos Santos Lot e Procópio. O mosaico abaixo, descoberto em 1985, pertencia a uma capela menor, fundada quase um século antes (na segunda metade do século quinto) pelo «diácono Kaiumos», no tempo do “Bispo Fido”. Já esse mosaico, um dos mais antigos, mostra a perícia de seus executores.
Nas encostas da altura do lado oposto do Wadi Afrit foi escavado um pequeno mosteiro, composto por capela (9 x 12 metros) e três salas adjacentes. A população árabe do lugar já conhecia seus restos e as chamava simplesmente de al-Kanisa, “a igreja”. Do pavimento com mosaicos foi salvo apenas uma peça da frente do altar: apresenta um vaso do qual sai uma videira com dois ramos de cores diferentes.

O mosteiro da Mãe de Deus

Diferente deste é mosteiro da Mãe de Deus que está num contraforte meridional do Monte Nebo, a oeste da fonte chamada pelos beduinos de Ain al-Kanisa (“fonte da igreja”). Também esse sítio já havia sido identificado por Fr. Saller e Fr. Bagatti, nos anos ’30 do século passado, se bem que as escavações tenham sido feitas somente nos anos ’90. Tanto o pátio – que cobria uma cisterna – como a igreja eram embelezados por mosaicos: junto ao altar, decorações em forma de concha; na nave, de novo medalhões circundados de videzinhas, com flores, frutos e animais, depois danificados pelos inconoclastas. O achado mais importante, porém, são as incrições em cima e no tapete feito de mosaicos, que deixam distinguir duas fases históricas.
Nos primeiros séculos cristãos, viveram aqui numerosos monges, revivendo interiormente o paradoxo pelo qual Moisés pôde ver a Terra Prometida somente de longe, sem chegar a ela. Essa presença cristã se manteve notável durante todo o tempo em que a área permaneceu sob domínio bizantino, conservando-se até o fim da época em que a sede política do califado de Damasco foi transferida a Baghdad.

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