De pedreira a jardim
O Calvário, como testemunham os Evangelhos, devia situar-se fora da cidade, junto a uma área destinada a sepulturas.
Mas como se apresentava a região no tempo da crucificação e da ressurreição de Cristo?
As escavações arqueológicas da segunda metade do século XX demonstraram a existência de uma vasta pedreira para a extração da pedra malaki, situada logo fora das muralhas, utilizada do século VIII ao I a.C. para a construção dos edifícios da cidade.
Uma vez abandonada a pedreira, a área foi destinada a pequenas hortas e jardins cultiváveis e, nas paredes rochosas talhadas pela extração ao longo da colina, foram abertas uma série de túmulos familiares.
O próprio Gólgota, o “monte” sobre o qual foram erguidas as cruzes, devia apresentar-se como um afloramento rochoso mais elevado e separado da colina, um lugar adequado, portanto, para a execução demonstrativa das penas capitais.
Quando, nos anos 41-42 d.C., Herodes Agripa ampliou o circuito muralhado de Jerusalém para noroeste, o Gólgota passou a fazer parte da cidade e, de lugar isolado, tornou-se com o tempo parte integrante e centro da urbe.
Aelia Capitolina
Uma consequência significativa das revoltas judaicas contra a dominação romana foi a destruição de Jerusalém e a edificação de uma nova cidade, a colónia romana de Aelia Capitolina, assim denominada em honra do imperador Adriano, que desejou a sua construção.
Jerusalém foi transformada numa cidade de traçado greco-romano, dotada de cardo e de templos dedicados às divindades romanas, com o objetivo de apagar todas as recordações judaicas.
No novo ordenamento urbano, o jardim do Gólgota ficou situado no centro da cidade. Na mesma área foi erguido um templo pagão construído sobre um aterro que selou os vestígios mais antigos, como relatam os testemunhos de Eusébio, bispo de Cesareia no século IV, e de São Jerónimo, que viveu em Belém de 386 até à sua morte.
A época de Constantino
Entre 324 e 325, por iniciativa de Constantino, o bispo de Jerusalém, Macário, iniciou a destruição dos edifícios pagãos construídos sobre o Gólgota, com o objetivo de procurar o túmulo vazio de Cristo.
Com tom de surpresa e contra todas as expectativas, o historiador Eusébio transmitiu o relato da descoberta da “gruta mais santa de todas”, aquela que fora testemunha da ressurreição do Salvador.
Após a descoberta do túmulo e do afloramento rochoso do Gólgota, os arquitetos constantinopolitanos projetaram um complexo articulado e imponente de edifícios destinados a usos litúrgicos específicos.
A obra de Constantino, formalmente inaugurada a 13 de setembro de 335, implicou a modificação da geologia da área para realizar um conjunto de edifícios que culminava na Anastasis, com o túmulo de Cristo no centro.
Ao longo do cardo colunado da cidade erguia-se a escadaria que conduzia ao átrio, de onde, através de três portas, se acedia à basílica do Martyrion. A basílica devia ser magnífica, com as suas cinco naves divididas por colunas e pilares que sustentavam um teto de caixotões dourados.
No fundo da basílica, por meio de duas portas colocadas ao lado da abside, chegava-se ao pátio aberto, rodeado em três lados por pórticos, onde, no canto sudeste, se elevava, no seu aspeto natural, a rocha do Gólgota.
Do triporticus destacava-se imponente a fachada do grandioso mausoléu da Anastasis: o edifício foi concebido como uma grande rotunda circular, com no centro a Edícula do Túmulo, rodeada por colunas e pilares que formavam um deambulatório encimado por uma galeria superior. Uma grande cúpula com óculo aberto elevava-se sobre a Anastasis e tornava a basílica visível de toda a cidade.
Por fim, no exterior, ao longo do lado norte da Anastasis, encontravam-se os espaços destinados ao bispo e ao clero da Igreja-mãe de Jerusalém.
A invasão persa
A tomada de Jerusalém pelos persas em 614 foi acompanhada por três dias de saques e destruições. O próprio patriarca Zacarias foi feito prisioneiro e a relíquia da Verdadeira Cruz foi roubada, sendo trazida de volta a Jerusalém pelo imperador bizantino Heráclio em 630.
O complexo do Santo Sepulcro, onde os cristãos de Jerusalém se refugiaram durante o cerco, foi incendiado e muitos fiéis ali morreram. O abade de São Teodoro, Modesto, empenhou-se na angariação de fundos para a reconstrução das igrejas destruídas em Jerusalém pelas hordas persas. Ele afirmou que todas foram restauradas até 625 d.C., deduzindo-se que também os danos sofridos pelo Santo Sepulcro foram reparados.
Em 638, o patriarca de Jerusalém, Sofrónio, entregou pacificamente a cidade ao califa Omar: as derrotas bizantinas frente aos muçulmanos provenientes da Península Arábica mudaram o rumo da Palestina nos quatro séculos seguintes.
À visita do califa ao Santo Sepulcro e à sua oração fora da basílica do Martyrion, junto ao pórtico oriental, deve-se a perda do direito de acesso ao santuário pela entrada principal, que se tornou, em vez disso, lugar de oração individual para os muçulmanos.
As peregrinações à Cidade Santa continuaram, ainda que interrompidas, e os relatos dos viajantes oferecem descrições do Santo Sepulcro e das mudanças ocorridas neste período, como a transferência do acesso para o lado sul, a construção de uma igreja no local do Calvário e da igreja de Santa Maria, bem como a veneração de novas relíquias, como o cálice da Última Ceia, a esponja e a lança expostas à devoção religiosa.
A destruição de al-Hakim
Em 1009 d.C., o fanático califa fatímida do Egito, al-Hakim bi-Amr Allah, emitiu a ordem explícita de destruir as igrejas da Palestina, do Egito e da Síria, e sobretudo o Santo Sepulcro, como relata o historiador Yahia ibn Saʿid.
Tratou-se de uma destruição radical do santuário, que levou à demolição da igreja do Calvário, do que restava das estruturas sobreviventes do Martyrion e ao completo desmantelamento da Edícula do Sepulcro. Todos os utensílios e mobiliários foram destruídos ou saqueados. A fúria devastadora só se deteve diante da robustez das estruturas constantinianas da Anastasis, que em parte se salvaram por estarem soterradas pelos escombros da destruição.
A reconstrução pôde começar poucos anos depois, mas a complexidade do projeto constantiniano perdeu-se para sempre e a Rotunda da Anastasis tornou-se o fulcro da igreja e a única basílica do complexo mencionada nas fontes históricas posteriores.
O restauro, assumido pela Coroa Imperial de Bizâncio, terminou em 1048, sob o reinado do imperador Constantino Monômaco.
A transformação cruzada
A crescente dificuldade de acesso aos lugares santos da cristandade levou os imperadores bizantinos a pedir ajuda ao Ocidente, que respondeu com o início das campanhas cruzadas.
A 15 de julho de 1099, os cruzados conquistaram a Cidade Santa, massacraram judeus e muçulmanos e fizeram dela o coração do seu reino por quase um século, até 2 de outubro de 1187. Poucos dias após a tomada, o conde Godofredo de Bulhão recebeu o título de Advocatus, isto é, protetor laico do Santo Sepulcro, com a tarefa implícita de defender os lugares santos em nome do Papa e do clero latino.
Os cruzados iniciaram obras de reorganização de algumas partes do Santuário, recentemente restaurado. Para adaptar o santuário à liturgia latina, no espaço do triporticus constantiniano foi construído um Chorus Dominorum ligado à Anastasis, onde oficiavam os religiosos latinos.
Outra importante realização cruzada foi a construção da igreja de Santa Helena no local onde a tradição de Jerusalém situava o achado da Verdadeira Cruz pela mãe de Constantino.
A intenção cruzada era a de criar uma única basílica que reunisse todas as memórias ali celebradas, conferindo-lhes uma forma adequada para acolher milhares de peregrinos.
A diversidade de estilos românicos europeus representados nas primeiras intervenções, por vontade do rei Balduíno I (1100-1118), encontrou com o tempo maior coesão, sobretudo graças aos artistas que trabalharam para o rei Balduíno III (1140-1150).
A Basílica do Santo Sepulcro, tal como chegou até nós, ecoa esse estilo românico cruzado que reuniu numa única estrutura as memórias sagradas ligadas à morte e à ressurreição de Cristo.
Um período difícil
Em 1187, Jerusalém foi reconquistada pelo exército de Saladino e a igreja do Santo Sepulcro foi fechada.
Graças a acordos com o imperador de Constantinopla, estabeleceu-se na basílica uma hierarquia grega.
Os católicos, chamados Francos ou Latinos, foram readmitidos por breves tréguas, para depois serem novamente expulsos durante a feroz invasão dos Carismianos em 1244, quando os cristãos foram atacados e massacrados e a basílica mais uma vez gravemente danificada.
O peregrino Thietmar, em 1217, escreve que a igreja do Santo Sepulcro e o lugar da Paixão «estão sempre fechados, sem culto e sem honra, e só se abrem algumas vezes aos peregrinos, mediante pagamento».
Perante os protestos do mundo cristão, o sultão desculpou-se junto do papa Inocêncio IV, atribuindo a devastação a irresponsáveis, e assegurou que, reparados os danos, confiaria as chaves a duas famílias muçulmanas para abrirem a basílica à chegada dos peregrinos, situação que permanece até hoje.
Foi um período obscuro, em que funcionários sem escrúpulos zombavam do desejo das comunidades de aceder à basílica. Os peregrinos, após o pagamento de uma taxa, eram introduzidos no interior e recebiam um local e um altar especial onde podiam assistir, durante vários dias, às cerimónias celebradas na sua língua.
Nesse tempo, várias colónias de cristãos provenientes da Mesopotâmia, Egito, Arménia, Etiópia, Síria, Grécia e Geórgia estabeleceram-se em Jerusalém. A rainha georgiana Tamara obteve para a sua comunidade a isenção da taxa e a permissão para viver na igreja. Os monges recebiam comida e ofertas através de aberturas feitas na porta da basílica. O santuário entrou gradualmente em decadência.
Os soberanos do Ocidente, perdida a possibilidade de recuperar os lugares santos pelas armas, iniciaram negociações com os sultões para garantir o culto católico e a assistência aos peregrinos. Pleno êxito tiveram os reis de Nápoles, que em 1333 obtiveram uma residência para a comunidade latina em Jerusalém.
Além disso, a partir de 1217 começaram a chegar à Terra Santa os primeiros Frades Menores, conduzidos em missão por frade Elias Coppi. Entre 1219 e 1220, também Francisco de Assis realizou uma peregrinação aos lugares santos.
Os Franciscanos no Santo Sepulcro
Em 1342, com a aprovação do papa Clemente VI, a honra da custódia dos Lugares Santos foi confiada aos Franciscanos, presentes na Terra Santa desde 1335. Desde então, os frades franciscanos ocupam a Capela da Aparição de Jesus Ressuscitado à sua Mãe.
Frei Nicolau de Poggibonsi, que se encontrava em Jerusalém nesses anos, ao visitar a basílica do Santo Sepulcro escreveu: «No altar de Santa Maria Madalena oficiam os Latinos, isto é, os Frades Menores, que somos nós, cristãos latinos; pois em Jerusalém e em todo o ultramar, isto é, na Síria, em Israel, na Arábia e no Egito, não há outros religiosos, nem padres, nem monges, senão os Frades Menores, e estes se chamam Cristãos Latinos».
O arquimandrita russo Gretenio refere que dentro da basílica, fechada durante todo o ano exceto nas festas pascais e nos períodos de peregrinação, permanecem constantemente um sacerdote grego, um georgiano, um franco — isto é, um frade menor —, um arménio, um jacobita e um abissínio.
Foi um período de relativa calma: as diversas comunidades cristãs presentes no Santo Sepulcro conseguiram celebrar juntas os ritos da Semana Santa, incluindo a procissão do Domingo de Ramos.
Sob o domínio turco
Em 1517, o centro do poder do mundo islâmico passou da dinastia mameluca do Egito para os Turcos Otomanos. O sultão, residente em Constantinopla, favoreceu a Igreja Greco-Ortodoxa, o que causou muitos atritos entre gregos e latinos.
Um terramoto em 1545 fez ruir parte do campanário. O dinheiro e as intrigas palacianas transformaram o Santo Sepulcro num troféu atribuído a quem oferecesse mais. Entre 1630 e 1637, algumas partes da basílica mudaram de mãos até seis vezes.
Em 1644, os georgianos, não podendo suportar o pagamento dos impostos, deixaram a basílica e, pouco depois, também os abissínios partiram. Os franciscanos conseguiram adquirir os espaços abandonados pelas outras comunidades.
Em 1719, após longas negociações, os franciscanos iniciaram o restauro da cúpula da Anastasis. Temendo que as obras fossem interrompidas sem motivo, foram empregados 500 operários vigiados por 300 soldados. A cúpula e o frontão com janelas cegas foram refeitos, mas perderam-se os antigos mosaicos, demasiado danificados. Os arménios reconstruíram a escadaria da capela de Santa Helena e os gregos demoliram os andares instáveis do campanário. A Edícula, por sua vez, foi restaurada em 1728.
Um decreto do sultão de 1757 atribuiu aos gregos a propriedade da basílica de Belém, do Túmulo da Virgem e, em comum com os latinos, partes da basílica do Santo Sepulcro. Desde então, não houve mais modificações substanciais na posse dos Lugares Santos.
A época do Mandato Britânico
Concluída a Primeira Guerra Mundial, que viu a derrota da Alemanha e da Turquia, sua aliada, a Palestina foi confiada à administração mandatária da Inglaterra.
A esperança de que a questão dos Lugares Santos fosse resolvida de forma equitativa, uma vez que os ingleses, estando fora das disputas, seriam juízes mais imparciais entre as partes, não se concretizou.
O projeto de criação de uma Comissão que deveria examinar os direitos de cada comunidade foi retirado e as controvérsias passaram para a competência do Alto Comissário britânico para a Palestina, com a obrigação de fazer respeitar o Status Quo.
O governo inglês, em caso de trabalhos urgentes ou restauros, com base no artigo 13 do mandato e num regulamento de 1929 do Departamento de Antiguidades, podia intervir diretamente, como aconteceu em 1934 e em 1939.
Após o forte terramoto de 1927, o arquiteto inglês Harrison alertou para a perigosa instabilidade estrutural da basílica e mandou escorá-la com andaimes de ferro e madeira. Franciscanos e gregos convidaram arquitetos especialistas para uma nova perícia, cujo parecer foi de que os escoramentos realizados não eram suficientes para evitar uma catástrofe, sendo necessário procurar outras soluções. As três comunidades, por sua vez, providenciaram a reparação dos danos do terramoto: os gregos reconstruíram, a suas expensas, a cúpula do Catholicon, os franciscanos repararam a capela do Calvário e os arménios a de Santa Helena.
De 1948 até hoje
Se, por um lado, o século passado foi para o Santo Sepulcro uma sucessão de dificuldades ligadas às vicissitudes políticas do país, por outro foi o século que permitiu maiores possibilidades de acordos comuns entre as comunidades envolvidas pelo Status Quo.
Durante a regência do Reino Hachemita da Jordânia, cristãos e muçulmanos puderam aceder livremente à Cidade Santa e à basílica, ao contrário dos judeus, uma vez que a Cidade Velha estava inteiramente dentro dos territórios jordanianos. Uma visita de destaque foi a do rei da Jordânia, Abdullah, a 27 de maio de 1948.
Durante alguns trabalhos de restauro no telhado, às 20 horas de quarta-feira, 23 de novembro de 1949, um incêndio danificou a cobertura da grande cúpula, mas o governo de Amã tratou prontamente das reparações.
Uma viragem decisiva ocorreu em 1959, quando as negociações entre os representantes das três comunidades Greco-Ortodoxa, Arménia e Latina chegaram a um acordo para o grande projeto de restauro da basílica. Em 1960 iniciaram-se os trabalhos, que também foram ocasião para verificar o estado do depósito arqueológico nas trincheiras e sondagens realizadas, acompanhadas pelo padre franciscano e arqueólogo do Studium Biblicum Franciscanum, Virgílio Corbo.
Durante mais de vinte anos, o padre Corbo esteve envolvido na descoberta dos importantes elementos materiais revelados pela investigação do edifício e na sua atenta interpretação, trabalho que levou, em 1981, à publicação de Il Santo Sepolcro di Gerusalemme, com a documentação completa da investigação arqueológica.
A primeira visita papal na história dos lugares santos ocorreu em janeiro de 1964, quando Paulo VI rezou diante do Túmulo vazio. Muitos anos depois, por ocasião do Ano Jubilar de 2000, o beato João Paulo II visitou o local duas vezes no mesmo dia, e apenas nove anos mais tarde a comunidade cristã local pôde alegrar-se com a visita do novo pontífice Bento XVI.
Após a chamada Guerra dos Seis Dias, desde 1967 a basílica do Santo Sepulcro está sob controlo israelita e, ainda hoje, guardas israelitas supervisionam o tranquilo desenrolar das práticas de abertura e encerramento da basílica e o afluxo de peregrinos, sobretudo durante o Tríduo Pascal.
O diálogo contínuo entre as três comunidades para a gestão dos espaços comuns da basílica levou, por fim, a novas e importantes inaugurações, como a da cúpula que cobre a Edícula, revelada ao olhar emocionado de fiéis, peregrinos e religiosos a 2 de janeiro de 1997, e, mais recentemente, a dos indispensáveis espaços destinados a instalações sanitárias.
As negociações entre os representantes das comunidades prosseguem, permanecendo em análise os acordos para o restauro da Santa Edícula e para um novo pavimento dos espaços comuns.
Padre Virgílio Corbo
Ainda havia de trazer à luz a casa de Pedro em Cafarnaum quando, em 1960, ao “frade pesquisador dos Lugares Santos” foi confiada pela Custódia da Terra Santa a tarefa de acompanhar os trabalhos de escavação previstos para o restauro das partes católicas da Basílica do Santo Sepulcro.
Três anos depois, em 1963, as três Comunidades presentes no Sepulcro elegeram-no arqueólogo das obras realizadas nas áreas comuns, encargo que o envolveu durante 17 anos, acompanhando o estaleiro manhã e tarde, e por mais 2 anos para entregar à imprensa a sua obra monumental O Santo Sepulcro de Jerusalém. Aspetos arqueológicos desde as origens até ao período cruzado.
Padre Virgílio Corbo chegou à Terra Santa com apenas dez anos de idade, proveniente da sua Avigliano natal, localidade dos Apeninos lucanos, como aluno do Seminário Menor da Custódia da Terra Santa.
Sob a orientação do padre Bellarmino Bagatti, durante a permanência forçada em Emús el-Qubeibeh entre 1940 e 1943, padre Corbo teve as suas primeiras experiências de escavação arqueológica, intensificadas pelas prospeções arqueológicas dos territórios adjacentes ao mosteiro, sede a partir da qual os frades podiam sair uma vez por semana.
O primeiro campo de investigação foram os mosteiros bizantinos do deserto da Judeia, tema da sua tese de licenciatura apresentada no Pontifício Instituto de Estudos Orientais de Roma, com o título As escavações de Khirbet Siyar el-Ghanam (Campo dos Pastores) e os mosteiros dos arredores, posteriormente publicada na Collectio Maior do Studium Biblicum Franciscanum em 1955.
Posteriormente, dedicou-se às pesquisas arqueológicas no Monte das Oliveiras, numa área próxima do Santuário da Ascensão, e na Gruta dos Apóstolos, no Getsémani.
Em 1960 teve início a longa atividade como arqueólogo especialista no Santo Sepulcro, atividade que se desenvolveu paralelamente a outras importantes investigações arqueológicas realizadas na Fortaleza do Heródion (1962–1967) e no Monte Nebo (1963–1970).
A partir de 1968, padre Corbo, juntamente com o padre Stanislau Loffreda, trabalhou no sítio que o tornaria mais célebre, conduzindo 19 campanhas de escavação nas margens do Lago de Tiberíades, naquela Cafarnaum que devolveu, graças ao trabalho incansável dos dois frades, a casa de Pedro, transformada pelos primeiros cristãos em lugar de culto.
A sua fé franciscana no Evangelho e a sua paixão pela arqueologia fundiam-se num físico corpulento e num espírito vulcânico, que o impulsionava cada vez mais à procura de uma autenticidade que ele definia como “histórica e moral” em relação aos lugares da Redenção.
Da introdução aos três volumes sobre o Santo Sepulcro emerge claramente o espírito com que o frade-arqueólogo se aproximou do Gólgota e do Túmulo vazio “com a mesma ansiedade dos Apóstolos”:
“Aqui começou a peregrinação dos Apóstolos e das piedosas mulheres ao amanhecer do dia da Ressurreição. Aqui sempre chegou a peregrinação da Igreja de dois milénios. Aqui continua incessante a nossa peregrinação para ouvir de novo a mensagem angélica: ecce locus ubi posuerunt eum… non est hic. Resurrexit!”
Se hoje podemos conhecer as estruturas reais do Santo Sepulcro, e não apenas plantas ideais, isso deve-se à competência e à grande paixão do padre Corbo, que com perícia e com um “instinto de amor por Aquele que é a figura triunfante deste monumento” soube tornar leves as fadigas do trabalho e vencer as resistências humanas.
As escavações arqueológicas
No final dos anos 1950 do século passado, os representantes das três Comunidades que oficiam no Sepulcro chegaram a um acordo para o início dos trabalhos de restauro da basílica. Esta intervenção abriu a possibilidade de realizar escavações arqueológicas e análises aprofundadas das estruturas, estudos que estão na base do conhecimento atual da basílica e da sua história arquitetónica.
Embora sempre no centro do interesse de numerosos estudiosos, até então eram poucos os elementos seguros para uma reconstrução das fases sucessivas até ao século XX. A maioria das reconstruções baseava-se sobretudo nos testemunhos dos peregrinos que, ao longo do tempo, tinham descrito aquilo que os seus olhos tinham visto.
A atenção dos arqueólogos foi despertada já em 1844, quando, no vizinho Convento Russo, foram encontrados os restos do acesso ao Martyrium constantiniano, com a escadaria sobre o cardo maximus (estudos publicados em 1930).
O ponto culminante da investigação anterior às escavações arqueológicas foi alcançado pelos estudos reunidos nos quatro volumes da Jerusalem Nouvelle dos padres dominicanos Louis H. Vincent e Félix M. Abel, publicados entre 1924 e 1926, nos quais propuseram uma planta reconstrutiva do Sepulcro constantiniano, sobre a qual o próprio padre Corbo baseou as investigações posteriores.
O Santo Sepulcro de Jerusalém: aspetos arqueológicos desde as origens até ao período cruzado
As apaixonantes investigações arqueológicas conduzidas entre 1960 e 1973 na Basílica do Santo Sepulcro, graças aos favoráveis acordos entre as três Comunidades — católica, greco-ortodoxa e arménia — para o restauro da basílica, foram acompanhadas passo a passo pelo arqueólogo franciscano padre Virgílio Corbo.
Desde o início dos trabalhos, o arqueólogo publicou regularmente relatórios preliminares na revista científica Liber Annus e em vários artigos de divulgação aparecidos em numerosas revistas e jornais.
A obra que entregou ao mundo académico os vinte anos de atividade no Sepulcro e que permitiu ligar os factos evangélicos ao lugar venerado foi organizada por padre Corbo em três volumes: um dedicado ao texto, outro às pranchas de desenhos e reconstruções, e um terceiro às fotografias. Foi publicada em 1982 com o título O Santo Sepulcro de Jerusalém. Aspetos arqueológicos desde as origens até ao período cruzado.
O texto, escrito em italiano, foi acompanhado por um resumo e legendas em língua inglesa, realizados pelo colega e grande amigo, padre Stanislau Loffreda.
Pela primeira vez, a longa história do santuário foi reconstruída a partir dos dados materiais e da documentação arqueológica recolhida diretamente por padre Corbo, tanto durante as escavações por ele conduzidas como enquanto observador qualificado de todas as trincheiras abertas nas áreas comuns e, de forma privilegiada, também em zonas estritamente reservadas às Comunidades não latinas.
Talvez este seja um dos maiores méritos da publicação: ter reunido uma enorme quantidade de dados e documentação que, de outro modo, teria permanecido fragmentada, e ter optado por apresentar os dados de forma “essencial”, sem privar o leitor de sínteses históricas.
Os resultados das pesquisas foram organizados em quatro capítulos:
O sítio do Gólgota-Calvário antes de Constantino, o Grande
Os edifícios constantinianos
O grande restauro de Constantino Monômaco (século XI)
A transformação cruzada
As plantas reconstrutivas das diversas fases, com a localização das estruturas trazidas à luz, constituem a base de todos os estudos que, nas últimas três décadas, analisaram o Santo Sepulcro, tendo em conta todas as novidades não só arqueológicas, mas também arquitetónicas, conhecidas graças à redescoberta das pedras aparelhadas das paredes anteriormente cobertas por rebocos.
Para as áreas comuns do interior da basílica, padre Corbo dispôs dos dados recolhidos através da escavação de canais ou trincheiras estreitas destinadas à colocação de infraestruturas, obtendo apenas em alguns casos autorização para ampliar a área escavada. Para as zonas de pertença latina, teve à sua disposição todo o depósito arqueológico conservado na área do Patriarcado, da sacristia latina, no coro dos Latinos ou Capela da Aparição e no altar de Maria Madalena, situados a norte da Anastasis, bem como a capela da Invenção da Cruz.
Na análise das estruturas e dos achados, padre Corbo confrontou-se frequentemente com o padre Charles Coüsnon, arquiteto da Comunidade Latina encarregado de acompanhar os restauros da basílica. Padre Coüsnon, falecido em 1976, publicara dois anos antes o relatório preliminar dos seus trabalhos, intitulado The Church of the Holy Sepulchre in Jerusalem. O confronto, rico e estimulante, levou por vezes a leituras divergentes dos acontecimentos e das reconstruções do edifício. Uma das hipóteses de Coüsnon mais amplamente aceite pelos estudiosos posteriores foi a das colunas da rotunda da Anastasis: as duas colunas originais conservadas desde o tempo de Constantino seriam duas metades de uma coluna mais alta pertencente ao pórtico do templo romano de Adriano.
Em relação a Corbo, os estudos posteriores divergem sobretudo quanto à atribuição a Júpiter Capitolino do templo mandado construir pelo imperador Adriano no local do Jardim do Gólgota. Corbo, preferindo o testemunho de São Jerónimo, afirma ter encontrado vestígios da tripla cela do templo dedicado à tríade capitolina. Estudos mais recentes, porém, tendem a considerar, em concordância com Eusébio de Cesareia, que o templo construído sobre o Túmulo e o Gólgota era o de Vénus-Afrodite, talvez de forma circular, ao qual os arquitetos de Constantino se teriam inspirado para a planta central da Anastasis.
Por fim, um aspeto até agora pouco sublinhado da obra de Corbo é a presença dos desenhos realizados por engenheiros, arquitetos e desenhadores de grande competência envolvidos no levantamento das estruturas arquitetónicas, que trabalharam ao lado de Corbo e de Coüsnon. Entre eles destaca-se Terry Ball, talentoso desenhador anglo-saxão, um dos primeiros a compreender a importância de reconstruir a história dos edifícios através de desenhos reconstrutivos: são dele os elegantes e detalhados desenhos da fachada do Sepulcro.
Lista cronológica das pesquisas do subsolo da Basílica do Santo Sepulcro
1960: exploração e escavação do piso térreo da área do Patriarcado e do jardim.
1963: escavação da capela de Santa Maria.
1963–64: escavação das canalizações entre o Patriarcado (norte) e o adro diante da basílica (sul); descoberta do subterrâneo adriânico.
1965: escavação na capela rupestre da Invenção da Santa Cruz; escavação parcial no adro sul diante da fachada da basílica.
1966–67: escavação na zona sul do transepto da Anastasis (Divã Arménio).
1968: escavação na zona norte do transepto da Anastasis (atual Santa Maria Madalena).
1969: escavação na galeria da Anastasis e sobre os Arcos da Virgem.
1969–70: escavações na zona oriental do triporticus (atual Katholicon).
1974: escavação da trincheira a sul da Edícula da Anastasis.
1970–1980: longa escavação, realizada por etapas, atrás das absides da capela de Santa Helena, na área do Martyrium.
V. C. Corbo, O Santo Sepulcro de Jerusalém. Aspetos arqueológicos desde as origens até ao período cruzado, Jerusalém, 1981, vol. 1, p. 21.

O túmulo de Jesus na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, foi reaberto em 26 de outubro de 2016. O túmulo havia sido fechado apenas duas vezes anteriormente, em 1555 e em 1809, sempre por motivo de obras de restauração. O objetivo dos trabalhos foi garantir a segurança do pequeno templo (a Edícula) que guarda em seu interior o que resta da estrutura funerária e o próprio sepulcro vazio de Cristo. Ao término de um complexo processo de intervenções, na fase final dos trabalhos chegou-se à abertura do túmulo, com uma inspeção sumária do interior, suficiente, porém, para recolher dados inéditos e aprofundar o conhecimento do lugar mais santo da cristandade: o da Ressurreição de Cristo.
O acordo para dar início aos trabalhos foi assinado em 22 de março de 2016 pelas três Igrejas – grega, latina e armênia – e confiou ao Politécnico de Atenas a gestão do canteiro de obras, permitindo que as três autoridades eclesiásticas avaliassem conjuntamente o estado das intervenções e decidissem como proceder. As obras, que duraram dez meses, foram realizadas por uma equipe coordenada pela professora Antonia Moropoulou, da National Technical University de Atenas, que conduziu tanto os estudos preliminares quanto a restauração propriamente dita da Edícula.
Na sequência do acordo, a Edícula foi literalmente desmontada e remontada, com o objetivo de reforçar a sua estrutura. As placas de mármore que a revestem foram limpas, restauradas e depois recolocadas, fixando-as com parafusos de titânio; foram efetuados reparos com materiais coerentes com os antigos. Durante todo o período foi garantido o acesso dos peregrinos à Basílica, pois os operários encarregados da Edícula trabalharam, em sua maioria, durante a noite. O laboratório de restauração, montado na galeria superior dos latinos, funcionou, por sua vez, durante o dia.
Os trabalhos no Sepulcro envolveram cerca de setenta pessoas, em sua maioria canteiros e trabalhadores do mármore provenientes da Acrópole de Atenas; da Grécia chegaram também alguns operários especializados em alvenaria e restauração, além de conservadores, dois deles do Ministério da Cultura. Evidentemente, também participaram alguns operários contratados localmente.
Não se deve esquecer o grupo de trabalho da Universidade de Atenas, composto por 27 membros entre arquitetos e especialistas de outras disciplinas. Cada uma das Igrejas – latina, grega e armênia – nomeou seus próprios peritos para avaliar e verificar todo o processo.
Após o momento histórico da reabertura do túmulo de Cristo, um dia igualmente importante foi o da inauguração da Edícula restaurada, ocorrida em 22 de março de 2017, com uma celebração ecumênica.
Em 27 de maio de 2019, os chefes das comunidades cristãs responsáveis pelo status quo anunciaram a assinatura de um novo acordo para a restauração e a reabilitação das fundações do Santo Sepulcro e do piso da Igreja do Santo Sepulcro. Duas instituições acadêmicas e científicas italianas de alto nível realizarão os estudos e executarão os trabalhos sob a supervisão do comitê conjunto das três Comunidades.
Praça e entrada
Através das estreitas ruelas do souk da Cidade Velha, apinhadas de vendedores, lembranças sagradas e peregrinos curiosos, chega-se quase inesperadamente diante da entrada da Basílica do Santo Sepulcro.
Diante de uma pequena praça pavimentada, encerrada entre edifícios, abre-se a fachada da igreja cruzada, com suas entradas — das quais apenas a da esquerda permanece aberta — encimadas por janelas correspondentes, enquadradas por arcos levemente ogivais e elaborados frisos com motivos vegetais.
As duas portas, na época cruzada, eram enriquecidas por lunetas decoradas: a da direita possuía um mosaico representando a Virgem Maria; a da esquerda conserva ainda as marcas do opus sectile, realizado com preciosos mármores entalhados. Uma vez concluída a fachada, os cruzados acrescentaram, no canto esquerdo da praça, o campanário, hoje privado dos andares superiores que ruíram em 1545.
À direita, uma escadaria aberta conduz a um pórtico coberto por uma pequena cúpula cilíndrica, o acesso externo original ao Calvário, posteriormente transformado na pequena Capela dos Francos, de propriedade latina, dedicada a Nossa Senhora das Dores. Ao entrar no adro, ao longo dos degraus que conduzem ao pavimento, ainda se veem as bases das colunas que sustentavam o pórtico cruzado. As colunas foram retiradas e enviadas como presente a Meca por vontade dos Corásmios, em 1244.
Ao longo dos lados leste e oeste da praça abrem-se os acessos às capelas greco-ortodoxas, armênias e etíopes, além do convento grego que se estende pelo lado oriental.
O único acesso ao Santuário, com as duas folhas de madeira do grande portal, desde o tempo de Saladino está confiado a duas famílias muçulmanas, Judeh e Nuseibeh, que, repetindo os mesmos gestos transmitidos de pai para filho, realizam todas as manhãs e todas as noites a ritual abertura e fechamento do exterior da basílica.
Logo após cruzar o limiar, do lado esquerdo, encontra-se ainda um banco, o divã usado pelos “porteiros muçulmanos”, onde hoje se sentam peregrinos e religiosos das Comunidades a serviço na basílica.
Paixão, crucifixão e unção
A Basílica do Santo Sepulcro, uma vez transposta a sua entrada, abre-se ao peregrino com o seu conjunto de memórias reunidas no próprio lugar onde aconteceram: aqui Jesus foi crucificado e venceu a batalha contra a morte.
Entrando na basílica, à direita, desenrolam-se as memórias ligadas à paixão, morte e unção de Jesus.
Por alguns degraus íngremes, à direita da entrada, sobe-se ao “monte” do Gólgota. A rocha sobre a qual foi erguida a cruz e que devia estar ao ar livre no tempo da peregrina Egéria eleva-se ainda hoje cerca de 5 metros e é visível em vários pontos por trás das vitrines.
O piso elevado realizado pelos cruzados divide-se em duas naves: à direita, a Capela da Crucificação, de propriedade latina, onde se celebram a X e a XI estação da Via-Sacra e onde se recordam o despojamento de Jesus e a sua crucificação, como mostra o mosaico do fundo; à esquerda, a Capela do Calvário, pertencente aos gregos ortodoxos, é o local onde os fiéis podem ajoelhar-se sob o altar para tocar, através de um disco de prata, o lugar onde foi erguida a cruz do martírio de Jesus. Aqui se cumpre a XII estação da Via-Sacra, onde Jesus, morrendo, entregou o seu espírito ao Pai, enquanto a XIII estação se encontra diante da edícula da Mater Dolorosa.
A capela sob o Calvário é dedicada a Adão, o progenitor da humanidade. É o local onde os cruzados sepultaram Godofredo de Bulhão e Balduíno, primeiro rei de Jerusalém. As tumbas cruzadas foram destruídas pelos gregos ortodoxos durante a restauração que se seguiu ao incêndio de 1808.
Antigas tradições jerosolimitanas foram fixadas em algumas capelas que se articulam ao longo da galeria oriental: partindo da Capela de Adão encontram-se as capelas da Coluna dos Improperios, da Divisão das Vestes e de São Longino, até chegar à Prisão de Cristo. Entrando na pequena sala da Prisão atravessa-se o portal decorado com capitéis cruzados que representam uma versão incomum de Daniel na cova dos leões.
A Pedra da Unção, colocada diante da entrada da basílica e citada pela primeira vez pelo peregrino Ricoldo de Montecroce em 1388, recorda o rito da unção do corpo sem vida de Jesus e é particularmente venerada sobretudo pelos peregrinos ortodoxos. O mosaico moderno colocado na parede posterior permite acompanhar, através das cenas representadas, o percurso de Jesus, retirado da cruz, ungido com óleos perfumados e depositado no sepulcro novo de José de Arimateia.
Segundo os Evangelhos, algumas mulheres seguiam de perto os acontecimentos: também a memória das “três Marias” está fixada na edícula construída sobre a pedra circular encontrada pouco adiante da Pedra da Unção, em direção à Anástasis, diante do mosaico armênio da crucificação, obra dos anos 1970 de mestres italianos.
Sepultura e ressurreição
O Sepulcro que guardou o corpo de Jesus e que foi inundado pela luz da ressurreição de Cristo é o coração não apenas de toda a Basílica, mas de toda a cristandade que há séculos responde ao convite do Anjo:
“Não tenhais medo! Sei que procurais Jesus, o crucificado. Ele não está aqui. Ressuscitou, como tinha dito; vinde ver o lugar onde ele jazia.” (Mt 28,5-6)
Entrando na basílica, à esquerda, chega-se à Anástasis, a Rotunda constantiniana, com ao centro a Edícula do Santo Sepulcro, encimada pela cúpula restaurada e inaugurada em 1997.
A Rotunda é uma das partes do santuário que sofreu menos transformações planimétricas desde a época de Constantino: uma série de três colunas intercaladas por pilares sustenta uma sequência de arcadas que se abrem para a galeria superior, dividida entre as Comunidades Latina e Armênia. Durante os restauros da galeria foram encontrados os pavimentos em mosaico cosmatesco do século XI.
As maciças colunas da Rotunda, que substituem as originais demasiado degradadas pelo tempo e pelos incêndios, são decoradas com capitéis modernos esculpidos no estilo bizantino do século V. No projeto de Constantino, as colunas separavam o centro da rotunda do deambulatório, permitindo aos peregrinos circular em torno da edícula. Com o tempo, este espaço foi transformado numa série de ambientes fechados reservados aos sacristães gregos, armênios e coptas.
O único espaço acessível aos peregrinos é a sala situada atrás da Edícula, denominada Capela de São Nicodemos e José de Arimateia, que ocupa o espaço da abside ocidental da Rotunda. Uma porta estreita e baixa aberta nesta sala conduz ao túmulo chamado “de José de Arimateia”, uma típica sepultura em nichos (kokim) do tempo de Jesus.
No centro da Rotunda encontra-se a Edícula do Santo Sepulcro. A tumba de Jesus, isolada pelos arquitetos de Constantino, foi ao longo dos séculos objeto de destruições, reconstruções, embelezamentos e restaurações. Hoje está encerrada na Edícula realizada pelos gregos ortodoxos após o incêndio de 1808, que substituiu a dos franciscanos do século XVI. A Edícula, encimada por uma pequena cúpula em forma de cebola, compõe-se de um vestíbulo, a Capela do Anjo, que conduz à estreita câmara funerária onde, à direita, se encontra o banco de mármore que cobre a rocha sobre a qual foi depositado o corpo de Jesus.
Atrás da Edícula encontra-se a capela dos Coptas que, desde 1573, possuem ali um altar para poder celebrar no interior da basílica, e onde, sob o altar, é exposta à veneração uma porção do banco de rocha em que foi escavada a tumba do Sepulcro.
Aparições após a ressurreição
O que aconteceu ao romper da manhã do dia seguinte ao sábado deve ter-se desenrolado naquele “jardim” onde se encontrava o túmulo doado por José de Arimateia para a sepultura de Jesus.
A área situada ao norte da Rotunda reúne as memórias evangélicas do anúncio da ressurreição.
As mulheres, segundo os evangelhos sinóticos, são as primeiras testemunhas do anúncio quando, dirigindo-se ao Sepulcro para ungir o corpo do seu Mestre, encontraram a pedra removida e um anjo em vestes resplandecentes que lhes disse: “Ele não está aqui, ressuscitou”.
Como narra o evangelista João, Maria Madalena foi a primeira a encontrar Jesus ressuscitado e ainda não subido ao Pai, aquela a quem foi confiada a missão do anúncio da ressurreição.
Ultrapassadas as colunas da Rotunda, entra-se no espaço de pertença dos franciscanos. O altar à direita é dedicado a Maria Madalena. Neste espaço, além de se celebrarem a maior parte das liturgias no Sepulcro, é habitual encontrar os frades franciscanos a serviço para a escuta dos peregrinos e para as confissões.
Daqui sobe-se à capela latina da Aparição de Jesus à sua Mãe. Esta memória antiga, não narrada nos Evangelhos, é transmitida nesta capela, onde se conserva a coluna da Flagelação. Atrás destes ambientes situa-se o convento franciscano onde vivem permanentemente os frades a serviço da Basílica.
A galeria lateral é formada por uma série de arcos, chamados da Virgem, porque recordam as visitas da Virgem Maria ao Sepulcro. Esta memória está ligada às cinco colunas menores que ladeiam os pilares cruzados. As colunas são os restos do pórtico, reestruturado no século XI por Constantino Monômaco, que circundava por três lados, como no projeto de Constantino, o espaço aberto diante da fachada da Anástasis. Boa parte da muralha constantiniana original conserva-se no muro de fechamento lateral e acima dos arcos, em direção à Rotunda, onde se vê parte da antiga fachada da Anástasis.
Descoberta da verdadeira cruz
Do deambulatório, uma escada desce à capela dedicada a Santa Helena. As paredes da escada estão cobertas por pequenas cruzes gravadas, ao longo dos séculos, pelos peregrinos armênios como testemunho da devoção deste povo à Cruz.
Em 327, a imperatriz Helena, mãe de Constantino, veio como peregrina a Jerusalém e quis procurar ali a Santa Cruz. O relato fala da descoberta de três cruzes numa antiga cisterna, juntamente com os cravos (um dos quais está incrustado na Coroa de Ferro em Monza, um segundo no Duomo de Milão e um terceiro em Roma) e do titulus, a inscrição — ordenada por Pilatos — que trazia a condenação em três línguas (um fragmento encontra-se em Roma, na igreja de Santa Croce). Um milagre permitiu identificar a cruz de Cristo.
A capela de três naves, com quatro colunas que sustentam a cúpula, é de propriedade dos armênios e data do século XII. Fontes e escavações arqueológicas confirmam que já no projeto constantiniano a sala era de algum modo utilizada. Das paredes pendem numerosas lâmpadas segundo o estilo armênio.
Da Capela Armênia de Santa Helena acede-se à capela inferior da Inventio Crucis, onde se celebra todos os anos, no dia 7 de maio, a memória do achado da Santa Cruz e onde o padre Custódio franciscano leva em procissão a relíquia do lenho da Cruz de Cristo ao ponto em que tradicionalmente foi encontrada.
Catholicon
Diante da Edícula abre-se o espaço reservado aos gregos ortodoxos, o Catholicon, que ocupa o centro da basílica onde os cruzados realizaram o Coro dos Cônegos. A Confraria do Santo Sepulcro, formada por monges ortodoxos gregos presididos pelo Patriarca Greco-Ortodoxo de Jerusalém, é encarregada do cuidado do Santo Sepulcro em nome dos gregos e celebra a maior parte das suas liturgias no interior do Catholicon.
Uma cúpula sobre tambor, recentemente mosaicada em estilo bizantino com o Cristo Pantocrator rodeado pelos doze apóstolos em paramentos episcopais, é sustentada por arcos que se ligam, através de pendentes, aos pilares cruzados onde estão representados os evangelistas; pelas janelas do tambor, em determinados momentos do dia, entram feixes de luz que cortam a atmosfera, criando efeitos sugestivos.
No fundo do Catholicon encontra-se a iconóstase, marcada por uma cadência rítmica de arcos e colunas de mármore rosa com, no interior, os ícones da tradição greco-ortodoxa. Aos lados da iconóstase estão colocados os dois tronos patriarcais reservados às visitas solenes do Patriarca Ortodoxo de Antioquia e do Patriarca Ortodoxo de Jerusalém. Atrás da iconóstase, além de uma abóbada em vela, encontra-se a abside cruzada, coberta por uma calota nervurada em costelas separadas por janelas que iluminam a basílica.
Um vaso de mármore branco contendo uma pedra negra marcada por uma cruz é o Ônfalo, o umbigo, o centro do mundo: com base em várias referências bíblicas, este é o centro geográfico do mundo, que coincide com o lugar da manifestação divina. Trata-se de um elemento já presente na religião judaica, que considerava toda a cidade de Jerusalém como o centro do mundo; na Cidade Santa, os muçulmanos fazem-no coincidir com a rocha situada no centro da Cúpula da Rocha. No Santo Sepulcro, a cruz de Cristo é o centro do mundo, de onde os braços do Salvador se estendem para abraçá-lo por inteiro.
Nas escavações de 1967–68, o arquiteto grego Athanasios Economopoulos encontrou sob o pavimento do Catholicon, à altura da abside cruzada, a da igreja do Martyrium realizada pelos arquitetos de Constantino.
Convento Franciscano
Nos edifícios situados ao norte da Rotunda encontra-se o convento franciscano que acolhe os frades encarregados da oficiação do Sepulcro. Os edifícios constituíam o Patriarcado constantiniano, sede do bispo da igreja-mãe.
No antigo projeto constantiniano, uma série de ambientes em vários níveis abria-se para um pátio, um quadrilátero aberto em torno da Anástasis, que servia para dar luz às janelas das absides da Rotunda.
Do imponente edifício do Patriarcado conservam-se hoje as muralhas do piso térreo e de um piso elevado, alcançando quase 11 metros de altura. Investigações arqueológicas foram realizadas em toda a área do convento por p. Corbo.
Modesto, no século XI, mandou construir a Capela de Santa Maria: do convento ainda se pode ver intacta a porta de três aberturas da entrada externa da capela, realizada com colunas romanas e capitéis bizantinos reaproveitados. Uma escada hoje impraticável servia, além disso, para que o bispo de Jerusalém entrasse na basílica diretamente pela via do souk cristão através da Porta de Maria, de época cruzada.
Para os peregrinos católicos, através do convento chega-se à Sala dos Cruzados, onde é possível celebrar a Santa Missa.
Status Quo
O Status Quo é um conjunto de tradições históricas e condicionamentos, de regras e leis, que estabelece as relações, as atividades e os movimentos que se desenvolvem nas Basílicas onde a propriedade é comum a várias confissões cristãs.
Durante séculos, as diversas comunidades cristãs viveram sob o domínio islâmico lado a lado, apesar das profundas diferenças de dogma, rito e língua. Os franciscanos, presentes na Terra Santa desde 1333, haviam adquirido ao longo do tempo muitas propriedades nos Lugares Santos e, de 1516 a 1629, foram os seus principais proprietários.
Com a conquista de Constantinopla pelos turcos, em 1453, o Patriarca grego, que se tornara súdito do império, recebeu uma ampla jurisdição sobre todos os fiéis de rito greco-ortodoxo do Império Otomano, jurisdição que aumentava paralelamente às conquistas turcas e que, a partir de 1516, se estendeu também aos cristãos de rito ortodoxo da Terra Santa. A partir desse momento, com a aprovação do sultão otomano, os Patriarcas ortodoxos de Jerusalém passaram a ser gregos.
Em 1622, num período de duro conflito entre as potências ocidentais e o Império Otomano, teve início a disputa pelas propriedades dos Lugares Santos. Os franciscanos, facilmente acusados de serem espiões das potências estrangeiras, encontraram-se em dificuldade e tiveram de recorrer, para fazer valer os seus direitos, aos embaixadores das potências europeias. Os gregos contavam com o apoio da Rússia e os Lugares Santos tornaram-se assim uma moeda de troca, especialmente no período entre 1690 e 1757. Na primeira metade do século XIX, a aliança da Turquia com a Rússia teve consequências diretas também sobre a questão dos Lugares Santos e, em 1852, o sultão consagrou o “Statu Quo nunc” (a condição de fato existente no momento do acordo), conforme desejavam os gregos.
O Status Quo de direito afirmou-se e perdura até hoje, permanecendo como o único ponto de referência para resolver litígios e contestações. Na ausência de textos oficiais, recorreu-se a notas de caráter privado, que deixaram a situação jurídica confusa e incerta. Duas famílias muçulmanas têm o privilégio da custódia da porta da basílica, que é aberta segundo os horários estabelecidos pelas três principais comunidades.
No final da Primeira Guerra Mundial, com a dissolução do Império Otomano e a atribuição da Terra Santa ao mandato britânico, o problema dos Lugares Santos tornou-se internacional. O governo mandatário não quis ou não soube como regular a questão, e o governo jordaniano, que lhe sucedeu em 1948, seguiu a mesma política. Também a Organização das Nações Unidas interveio várias vezes, nomeando comissões e promovendo a internacionalização de Jerusalém, mas sem alcançar resultados concretos.
Atualmente, as três principais comunidades — grega, franciscana e armênia — conseguiram chegar a um acordo para a restauração da Basílica do Santo Sepulcro, iniciada em 1961, cujos trabalhos, embora avancem muito lentamente, continuam até hoje.
Comunidades cristãs no Santo Sepulcro
Franciscanos
São os Frades Menores que receberam o mandato de custodiar, na Terra Santa, os lugares consagrados pela presença de Jesus. Trata-se de uma missão particular que lhes foi confiada pela Santa Sé desde 1342, como herança da visita profética de São Francisco ao sultão do Egito, em 1219.
Os franciscanos no Santo Sepulcro celebram diariamente segundo a liturgia católica romana e prestam assistência aos peregrinos que afluem ao santuário. A sua vida no Santo Sepulcro é marcada pelas funções litúrgicas das diversas horas do dia e da noite. O Status Quo estabelece como, quando e onde as várias comunidades devem alternar-se na oração, regulando não só o calendário litúrgico, mas também a maior parte do que acontece todos os dias, meses e anos.
Os franciscanos iniciam a celebração da missa depois dos armênios, às 4h30 da manhã, e concluem o seu serviço na Edícula do Sepulcro com a solene Eucaristia comunitária das 7h15. Para as outras orações utilizam a Capela do Santíssimo Sacramento.
Entre as celebrações litúrgicas, a comunidade franciscana anima diariamente, das quatro às cinco da tarde, uma procissão que percorre o Santuário, incensando os seus altares e capelas. A sugestiva liturgia, à qual se unem grupos de peregrinos, recorda, com hinos, antífonas e orações, os momentos da paixão, morte, sepultura e ressurreição do Senhor.
Gregos
Com o Concílio de Calcedônia, em 451 d.C., inicia-se a sucessão de patriarcas ortodoxos de fé calcedonense. A posição da Igreja grega, afirmada desde 1533, explica porque a Igreja local é comumente chamada de “greco-ortodoxa”.
O Patriarcado Ortodoxo de Jerusalém instituiu, no século XV, a “Confraria do Santo Sepulcro”, dedicada à custódia dos Lugares Santos: a presença das letras OT sobrepostas, Hàghios Tàphos (Santo Sepulcro), indica os lugares da Basílica marcados pela presença grega.
No interior do Santo Sepulcro, por eles chamado Anastasis, ou Basílica da Ressurreição, o Patriarca de Jerusalém tem a sua cátedra colocada no amplo espaço do Catholicon.
A cerimônia religiosa mais sugestiva e aguardada pelos ortodoxos de todo o mundo realiza-se precisamente no Santo Sepulcro, onde, no Sábado Santo, milhares de fiéis aguardam que o Patriarca grego, depois de rezar na Edícula do Sepulcro, saia com dois feixes de velas acesas para distribuir a todos o Fogo Santo.
A Igreja Ortodoxa celebra as orações, as cerimônias e as festas segundo a tradição bizantina e seguindo o calendário juliano.
Armênios
A Igreja armênia pertence ao grupo das três Igrejas cristãs “antigo-orientais”, provenientes das tradições siríaca, armênia e alexandrina, assim denominadas pela antiguidade dos seus ritos, que expressam características étnicas e nacionais próprias.
O povo armênio, o primeiro a abraçar o cristianismo como religião nacional, esteve presente em Jerusalém desde o século V, quando se estabeleceram as primeiras comunidades, chegando a possuir um bairro inteiro desenvolvido em torno da catedral de São Tiago, bairro que ainda hoje ocupa um sexto de toda a Cidade Velha.
Juntamente com os latinos e os gregos ortodoxos, os armênios ortodoxos são a terceira comunidade sujeita ao Status Quo no Santo Sepulcro, santuário que chamam de “Surp Harutyun” em língua armênia.
As inúmeras pequenas cruzes gravadas na pedra (khatchar), que acompanham o peregrino na capela armênia de Santa Helena, são o sinal claro da veneração de um povo “adorador da cruz”.
Não é incomum chegar ao Sepulcro e ver jovens seminaristas armênios, vestidos com as suas túnicas azuis, envolvidos nas celebrações e liturgias cantadas em língua armênia antiga.
A presença armênia na basílica é ainda reconhecível pela característica cruz sem a imagem de Cristo, da qual partem, dos quatro braços, motivos florais, simbolizando a origem da vida e da salvação no Crucificado.
Coptas
A Igreja Ortodoxa Copta, que se inspira na tradição alexandrina, assim como a etíope e a eritreia, tem a sua origem no Egito. Uma tradição assinala a sua chegada à Palestina no século IV, na sequência de Santa Helena, mãe de Constantino, embora, com grande probabilidade, os primeiros contactos com os Lugares Santos tenham ocorrido através de experiências de vida monástica.
Os coptas, que hoje contam em Jerusalém cerca de mil fiéis reunidos em torno do seu arcebispo, que reside no mosteiro de Santo Antônio, ao lado do Santo Sepulcro, celebram na basílica no altar situado atrás da Edícula.
Junto ao altar está sempre presente um monge copta, reconhecível pelo típico toucado preto com bordados dourados.
As celebrações, presididas todos os domingos diante do seu altar, são realizadas em árabe, com partes em copta, uma língua formada pelo antigo egípcio misturado com o grego.
Siríacos
A Igreja Siro-Ortodoxa de rito antioqueno é a primeira herdeira da antiga Igreja judaico-cristã e hoje representa os cristãos de língua siríaca difundidos em muitos países do Oriente Médio. A sua língua litúrgica é o siríaco, um idioma pertencente ao aramaico, a antiga língua falada por Jesus.
Paralelamente ao patriarca bizantino, um documento atesta a presença em Jerusalém de um bispo sírio já a partir do século VI. A sede do metropolita sírio encontra-se junto à igreja de São Marcos, situada entre os bairros armênio e judeu, que, segundo uma antiga tradição jerusalemita, é considerada a casa de Maria, mãe do evangelista Marcos.
Na Basílica do Santo Sepulcro, os siro-ortodoxos celebram na capela de José de Arimateia e Nicodemos, situada no deambulatório atrás da Edícula do Sepulcro, cuja propriedade é contestada.
Etíopes
Os etíopes (ou abissínios) representam o primeiro país cristão da África. Ligada às origens alexandrinas, esta Igreja apresenta a particularidade de ter conservado costumes veterotestamentários, como a circuncisão e as normas levíticas alimentares e de pureza ritual.
A sua comunidade, marcada pela vida monástica, está presente em Jerusalém desde o século IV, simultaneamente à chegada de São Jerônimo.
Em 1283 tiveram o seu primeiro bispo, demonstrando gozar de importantes direitos também na Basílica do Santo Sepulcro durante toda a Idade Média, direitos que, porém, perderam durante o período otomano.
Atualmente, uma pequena comunidade de monges vive de forma pobre nas celas sobre o teto da capela de Santa Helena, complexo monástico que eles chamam de Deir es Sultan, do sultão.
Durante a Páscoa, chegam a Jerusalém numerosos homens e mulheres etíopes, envoltos em leves mantos brancos, que, com danças e cânticos na antiga língua ge’ez, celebram na noite de sábado o ritual da “busca do corpo de Cristo”.
Abertura do Santo Sepulcro
Todos os dias, na abertura e no fechamento da Basílica, repete-se uma complexa “cerimônia”.
Como é sabido, a custódia da porta e da chave do Santo Sepulcro é confiada a duas famílias muçulmanas (Nuseibeh e Judeh). O sultão do Egito, Malek Adel — segundo o historiador Tiago de Vitry — teve muitos filhos, que estabeleceu com diversas doações e benefícios; dois deles foram encarregados da custódia remunerada da porta do Sepulcro. Após a invasão dos corásmios (1244), o sultão Ayyub escreveu ao Papa Inocêncio IV desculpando-se pelos danos sofridos pela basílica e assegurando que os repararia, confiando as chaves a duas famílias muçulmanas para que abrissem a porta aos peregrinos. Desde então, esse direito transmitiu-se de uma família para outra.
No passado, para que a porta fosse aberta e se pudesse entrar na Basílica, era necessário pagar uma taxa pessoal: Fidenzio de Pádua relata que ela equivalia a cerca de 80 francos de ouro. Essa taxa era cobrada pelos guardiões muçulmanos ao lado da porta, onde existia um banco de pedra.
A taxa pessoal de entrada foi abolida em 1831 por Ibrahim Paxá. Hoje a porta abre-se todos os dias, mas é preciso ter em conta que, além dos direitos dessas duas famílias muçulmanas, existem também os diferentes direitos das três comunidades que oficiam no Santo Sepulcro: latinos (franciscanos), gregos e armênios. É por isso que a abertura da porta do Santo Sepulcro apresenta complicações e um cerimonial que a muitos pode parecer estranho e inútil.
Existem dois tipos de “abertura”: a abertura simples e a abertura solene (bem como a abertura simultânea dos três ritos). A abertura simples ocorre quando o sacristão da comunidade que pretende abrir a porta realiza sozinho todas as cerimônias, e apenas uma folha da porta é aberta. A abertura solene ocorre do mesmo modo, mas com a abertura das duas folhas: o sacristão abre a da esquerda e o porteiro muçulmano a da direita.
Em todos os dias em que não há festas ou circunstâncias particulares, a abertura é às 4h00 da manhã e o fechamento ocorre segundo um horário oficial. Para o fechamento vespertino da basílica, as três comunidades firmaram um acordo que prevê o fechamento às 19h00 entre outubro e março, e às 21h00 entre abril e setembro. Todas as noites, no momento do fechamento, os três sacristãos estão presentes e entram em acordo sobre quem abrirá no dia seguinte: em particular, a abertura é realizada ciclicamente pelas três comunidades; aquele que tiver o direito de abertura pega a escada e a apoia no centro da porta fechada.
Naturalmente, tanto para o fechamento simples quanto para o solene, vale o mesmo cerimonial da abertura, mas em ordem inversa.
A hora da Basílica
O peregrino muitas vezes fica surpreso ao descobrir que a hora do Santo Sepulcro não coincide com a do seu relógio, pois no interior da basílica está sempre em uso a hora solar (horário de inverno, em vigor entre outubro e março). Isso porque o regulamento não prevê a mudança de horário, a fim de manter sempre inalterados os horários das liturgias.
As Santas Missas presididas pelos latinos na Edícula do Santo Sepulcro começam às 4h30 da manhã e seguem a cada meia hora até às 7h45. Às 6h30, os frades celebram a missa cantada do dia no espaço diante da Edícula. Simultaneamente, há Santas Missas no Calvário, na nave direita, das 5h00 às 8h30.
Às sextas-feiras, a missa cantada das 6h30 da manhã é no Calvário. Todas as sextas-feiras, além disso, as comunidades, em sistema de rodízio, realizam a limpeza da Edícula do Santo Sepulcro. Os frades, segundo a tradição, fazem a Via-Sacra todas as sextas-feiras pelas ruas de Jerusalém, com início às 15h00 na Flagelação e término diante da Edícula, onde se proclama a Ressurreição de Nosso Senhor.
A Edícula do Santo Sepulcro passa à gestão dos gregos ortodoxos ao término de todas as celebrações latinas da manhã.
Todos os dias, às 16h00, a comunidade franciscana realiza a procissão diária na Basílica do Santo Sepulcro, partindo da Capela do Santíssimo, detendo-se em todas as capelas que circundam a rotunda, descendo também à Capela da Descoberta da Santa Cruz, subindo ao Calvário e depois alcançando a Edícula do Sepulcro, terminando com a bênção eucarística no ponto de partida. Os peregrinos de todas as nacionalidades fazem parte integrante desse rito cotidiano.
Dos outros dois ritos que convivem no Santo Sepulcro, apenas os armênios apresentam uma procissão itinerante na basílica, que ocorre nos últimos três dias da semana.
Após o fechamento da Basílica, as funções continuam por parte das três comunidades, a partir das 23h30, com as diversas incensações e os ofícios noturnos. A primeira missa é celebrada pelos gregos ortodoxos à meia-noite e meia, seguidos pelos armênios duas horas depois, até chegar ao horário de abertura e ao início da vida diurna do Sepulcro.
Horários de abertura e fechamento da basílica
Horário indicativo de verão: 5h00 – 21h00 todos os dias.
Horário indicativo de inverno: 4h00 – 19h00 todos os dias.
Santas Missas dominicais
Horário de verão: 5h30 – 6h00 – 6h30 (solene em latim) e 18h00.
Horário de inverno: 4h30 – 5h00 – 5h30 (solene em latim) e 17h00.
Santas Missas feriais
Horário de verão: 5h30 – 6h00 – 6h30 – 7h00 – 7h30 (solene em latim), sábado às 18h00.
Horário de inverno: 4h30 – 5h00 – 5h30 – 6h00 – 6h30 (solene em latim) – 7h15, sábado às 17h00.
Procissão diária
Horário de verão: 17h00 todos os dias.
Horário de inverno: 16h00 todos os dias.
A morte de Jesus
Evangelho segundo Mateus (Mt 27, 33-50)
Chegados ao lugar chamado Gólgota, que significa “Lugar do Crânio”, deram-lhe a beber vinho misturado com fel. Ele provou, mas não quis beber. Depois de o crucificarem, repartiram as suas vestes, lançando sortes. E, sentados, montavam guarda. Por cima da sua cabeça colocaram o motivo escrito da sua condenação: “Este é Jesus, o Rei dos Judeus”. Com ele foram crucificados dois ladrões, um à direita e outro à esquerda.
Os que passavam por ali insultavam-no, abanando a cabeça e dizendo: “Tu que destróis o templo e em três dias o reconstróis, salva-te a ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz!”. Do mesmo modo também os chefes dos sacerdotes, com os escribas e os anciãos, zombavam dele, dizendo: “Salvou os outros e não pode salvar-se a si mesmo! É o rei de Israel; desça agora da cruz e acreditaremos nele. Confiou em Deus; que Deus o livre agora, se é verdade que o ama. Pois disse: ‘Sou Filho de Deus’”. Também os ladrões crucificados com ele o insultavam da mesma maneira.
Ao meio-dia, fez-se escuridão sobre toda a terra até às três da tarde. Por volta das três, Jesus gritou em alta voz: “Elí, Elí, lemá sabactáni?”, que quer dizer: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”. Ao ouvirem isto, alguns dos presentes diziam: “Ele chama por Elias”. E logo um deles correu, pegou numa esponja, embebeu-a em vinagre, fixou-a numa cana e dava-lha a beber. Os outros diziam: “Deixa! Vamos ver se Elias vem salvá-lo!”. Mas Jesus, dando de novo um forte grito, entregou o espírito.
(Mt 27, 33-50)
BÍBLIA CEI 2008
Evangelho segundo Marcos (Mc 15, 22-37)
Levaram Jesus ao lugar chamado Gólgota, que significa “Lugar do Crânio”, e davam-lhe vinho misturado com mirra, mas ele não o tomou. Depois crucificaram-no e repartiram as suas vestes, lançando sortes para ver o que caberia a cada um.
Eram nove horas da manhã quando o crucificaram. A inscrição com o motivo da sua condenação dizia: “O Rei dos Judeus”. Com ele crucificaram dois ladrões, um à direita e outro à esquerda.
Os que passavam por ali insultavam-no, abanando a cabeça e dizendo: “Eh, tu que destróis o templo e o reconstróis em três dias, salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!”. Do mesmo modo também os chefes dos sacerdotes, juntamente com os escribas, zombavam dele entre si, dizendo: “Salvou os outros e não pode salvar-se a si mesmo! O Cristo, o rei de Israel, desça agora da cruz, para que vejamos e acreditemos!”. Também os que tinham sido crucificados com ele o insultavam.
Quando chegou o meio-dia, fez-se escuridão sobre toda a terra até às três da tarde. Às três, Jesus gritou em alta voz: “Eloí, Eloí, lemá sabactáni?”, que quer dizer: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”. Ao ouvirem isto, alguns dos presentes diziam: “Eis que chama por Elias!”. Um correu, embebeu uma esponja em vinagre, fixou-a numa cana e dava-lha a beber, dizendo: “Esperai, vamos ver se Elias vem descê-lo”. Mas Jesus, dando um forte grito, expirou.
(Mc 15, 22-37)
BÍBLIA CEI 2008
Evangelho segundo Lucas (Lc 23, 33-46)
Quando chegaram ao lugar chamado Crânio, ali o crucificaram, bem como os malfeitores, um à direita e outro à esquerda. Jesus dizia: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. Depois, repartindo as suas vestes, lançaram sortes.
O povo permanecia a observar; os chefes, porém, zombavam, dizendo: “Salvou os outros! Salve-se a si mesmo, se é o Cristo de Deus, o Eleito”. Também os soldados zombavam dele, aproximavam-se, ofereciam-lhe vinagre e diziam: “Se tu és o rei dos Judeus, salva-te a ti mesmo”. Por cima dele havia também uma inscrição: “Este é o Rei dos Judeus”.
Um dos malfeitores crucificados insultava-o: “Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!”. Mas o outro repreendeu-o, dizendo: “Não temes a Deus, tu que sofres a mesma condenação? Nós a sofremos justamente, porque recebemos o que merecemos pelos nossos atos; mas ele nada fez de mal”. E acrescentou: “Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu Reino”. Ele respondeu-lhe: “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso”.
Já era quase meio-dia e fez-se escuridão sobre toda a terra até às três da tarde, porque o sol se eclipsara. O véu do templo rasgou-se ao meio. Jesus, clamando em alta voz, disse: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. Dito isto, expirou.
(Lc 23, 33-46)
BÍBLIA CEI 2008
Evangelho segundo João (Jo 19, 16-30)
Então tomaram Jesus e ele, carregando a cruz, dirigiu-se ao lugar chamado Lugar do Crânio, em hebraico Gólgota, onde o crucificaram e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus ao centro. Pilatos mandou também escrever uma inscrição e colocá-la na cruz; nela estava escrito: “Jesus, o Nazareno, o Rei dos Judeus”. Muitos judeus leram essa inscrição, porque o lugar onde Jesus foi crucificado ficava perto da cidade; estava escrita em hebraico, em latim e em grego. Os chefes dos sacerdotes dos judeus disseram então a Pilatos: “Não escrevas: ‘O Rei dos Judeus’, mas: ‘Este disse: Eu sou o Rei dos Judeus’”. Pilatos respondeu: “O que escrevi, escrevi”.
Depois os soldados, quando crucificaram Jesus, tomaram as suas vestes e fizeram quatro partes, uma para cada soldado, e também a túnica. Mas a túnica era sem costura, tecida de alto a baixo numa só peça. Disseram então entre si: “Não a rasguemos, mas lancemos sortes para ver a quem caberá”. Assim se cumpria a Escritura que diz:
Repartiram entre si as minhas vestes
e lançaram sortes sobre a minha túnica.
E os soldados fizeram assim.
Junto à cruz de Jesus estavam sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver a mãe e junto dela o discípulo que ele amava, disse à mãe: “Mulher, eis o teu filho!”. Depois disse ao discípulo: “Eis a tua mãe!”. E, a partir daquela hora, o discípulo acolheu-a em sua casa.
Depois disso, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para que se cumprisse a Escritura, disse: “Tenho sede”. Havia ali um vaso cheio de vinagre; então puseram uma esponja embebida em vinagre numa cana e aproximaram-lha da boca. Depois de tomar o vinagre, Jesus disse: “Está consumado!”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.
(Jo 19, 16-30)
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A sepultura
Evangelho segundo Mateus (Mt 27, 57-61)
Ao cair da tarde, veio um homem rico de Arimateia, chamado José, que também se tornara discípulo de Jesus. Ele foi a Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que lhe fosse entregue. José tomou o corpo, envolveu-o num lençol limpo e colocou-o no seu sepulcro novo, que mandara escavar na rocha; depois, rolando uma grande pedra para a entrada do sepulcro, retirou-se.
Estavam ali, sentadas em frente ao sepulcro, Maria Madalena e a outra Maria.
(Mt 27, 57-61)
BÍBLIA CEI 2008
Evangelho segundo Marcos (Mc 15, 42-47)
Ao entardecer, como era a Parasceve, isto é, a véspera do sábado, José de Arimateia, membro ilustre do Sinédrio, que também esperava o Reino de Deus, foi corajosamente a Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Pilatos admirou-se de que já estivesse morto e, chamando o centurião, perguntou-lhe se já tinha morrido havia muito tempo. Informado pelo centurião, concedeu o corpo a José.
Ele então, tendo comprado um lençol, desceu-o da cruz, envolveu-o no lençol e colocou-o num sepulcro escavado na rocha. Depois rolou uma pedra à entrada do sepulcro. Maria Madalena e Maria, mãe de José, observavam onde ele era colocado.
(Mc 15, 42-47)
BÍBLIA CEI 2008
Evangelho segundo Lucas (Lc 23, 50-56)
Havia um homem chamado José, membro do Sinédrio, homem bom e justo. Ele não tinha concordado com a decisão e a ação dos outros. Era de Arimateia, cidade da Judeia, e esperava o Reino de Deus. Apresentou-se a Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Desceu-o da cruz, envolveu-o num lençol e colocou-o num sepulcro escavado na rocha, onde ninguém ainda tinha sido sepultado. Era o dia da Parasceve e o sábado já começava a despontar.
As mulheres que tinham vindo com Jesus da Galileia acompanharam José; observaram o sepulcro e como o corpo de Jesus fora colocado. Depois voltaram e prepararam aromas e perfumes. No sábado, observaram o repouso, conforme o mandamento.
(Lc 23, 50-56)
BÍBLIA CEI 2008
Evangelho segundo João (Jo 19, 38-39)
Depois destes acontecimentos, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus, mas às escondidas, por medo dos judeus, pediu a Pilatos permissão para retirar o corpo de Jesus. Pilatos concedeu-lha. Então ele foi e retirou o corpo de Jesus.
(Jo 19, 38-39)
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A ressurreição
Evangelho segundo Mateus (Mt 28, 1-7)
Depois do sábado, ao amanhecer do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram visitar o sepulcro. E eis que houve um grande terremoto. Um anjo do Senhor, descendo do céu, aproximou-se, rolou a pedra e sentou-se sobre ela. O seu aspecto era como um relâmpago, e a sua veste branca como a neve. As guardas, tomadas de medo, tremeram e ficaram como mortas.
O anjo disse às mulheres: “Não tenhais medo! Sei que procurais Jesus, o crucificado. Ele não está aqui: ressuscitou, como tinha dito. Vinde ver o lugar onde estava depositado. Ide depressa dizer aos seus discípulos: ‘Ressuscitou dos mortos e precede-vos na Galileia; lá o vereis’. Eis que vo-lo disse”.
(Mt 28, 1-7)
BÍBLIA CEI 2008
Evangelho segundo Marcos (Mc 16, 1-8)
Passado o sábado, Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e Salomé compraram aromas para irem ungi-lo. De manhã cedo, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro ao nascer do sol. Diziam entre si: “Quem nos removerá a pedra da entrada do sepulcro?”. Erguendo os olhos, viram que a pedra já tinha sido removida, embora fosse muito grande.
Entrando no sepulcro, viram um jovem sentado à direita, vestido com uma túnica branca, e ficaram assustadas. Ele disse-lhes: “Não vos assusteis! Procurais Jesus Nazareno, o crucificado. Ressuscitou, não está aqui. Eis o lugar onde o tinham colocado. Ide, dizei aos seus discípulos e a Pedro: ‘Ele precede-vos na Galileia. Lá o vereis, como vos disse’”. Elas saíram e fugiram do sepulcro, pois estavam tomadas de tremor e espanto. E não disseram nada a ninguém, porque tinham medo.
(Mc 16, 1-8)
BÍBLIA CEI 2008
Evangelho segundo Lucas (Lc 24, 1-12)
No primeiro dia da semana, de manhã bem cedo, foram ao sepulcro, levando os aromas que tinham preparado. Encontraram a pedra removida do sepulcro e, entrando, não encontraram o corpo do Senhor Jesus.
Enquanto se perguntavam sobre o significado disso, eis que dois homens se apresentaram diante delas com vestes resplandecentes. Amedrontadas, mantinham o rosto inclinado para o chão, mas eles disseram: “Por que procurais entre os mortos aquele que está vivo? Não está aqui, ressuscitou. Lembrai-vos do que vos disse quando ainda estava na Galileia: ‘É necessário que o Filho do Homem seja entregue às mãos dos pecadores, seja crucificado e ressuscite ao terceiro dia’”. Então elas se lembraram das suas palavras.
Voltando do sepulcro, anunciaram tudo isso aos Onze e a todos os outros. Eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago. Também as outras, que estavam com elas, contavam estas coisas aos apóstolos. Mas essas palavras pareceram-lhes um delírio, e não acreditaram nelas. Pedro, porém, levantou-se, correu ao sepulcro e, inclinando-se, viu apenas os lençóis. E voltou para casa, admirado com o que tinha acontecido.
(Lc 24, 1-12)
BÍBLIA CEI 2008
Evangelho segundo João (Jo 20, 1-18)
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de manhã cedo, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e disse-lhes: “Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o colocaram!”.
Pedro e o outro discípulo partiram então para o sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. Inclinou-se e viu os lençóis no chão, mas não entrou. Chegou entretanto também Simão Pedro, que o seguia, entrou no sepulcro e observou os lençóis no chão e o sudário — que tinha estado sobre a cabeça de Jesus — não no chão com os lençóis, mas dobrado à parte, num lugar à parte. Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao sepulcro, viu e acreditou. Pois ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos. Os discípulos voltaram então para casa.
Maria, porém, permanecia junto ao sepulcro, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se para dentro do sepulcro e viu dois anjos vestidos de branco, sentados um à cabeceira e outro aos pés, onde tinha sido colocado o corpo de Jesus. Eles disseram-lhe: “Mulher, por que choras?”. Ela respondeu: “Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”. Dito isto, voltou-se e viu Jesus de pé, mas não sabia que era Jesus. Jesus disse-lhe: “Mulher, por que choras? A quem procuras?”. Pensando que fosse o jardineiro, ela disse-lhe: “Senhor, se foste tu que o levaste, diz-me onde o colocaste, e eu irei buscá-lo”. Jesus disse-lhe: “Maria!”. Ela voltou-se e disse-lhe em hebraico: “Rabbuni!”, que significa “Mestre!”. Jesus disse-lhe: “Não me detenhas, porque ainda não subi para o Pai; mas vai aos meus irmãos e diz-lhes: ‘Subo para o meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus’”. Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Vi o Senhor!” e contou o que ele lhe tinha dito.
(Jo 20, 1-18)
BÍBLIA CEI 2008
Francisco de Assis e os seus frades vieram à Terra Santa com o desejo de poder “respirar”, nestes Lugares santificados, a presença do Homem-Jesus. A procissão diária ao Sepulcro, que percorre os lugares da paixão–morte–ressurreição de Cristo, é uma forma de recordar aos peregrinos a necessidade de meditar constantemente sobre a humanidade de Jesus, que nestes lugares sofreu a sua Paixão e se manifestou na sua Ressurreição. À maneira da Via-Sacra, a procissão diária evoca a importância da devoção à cruz, tema caro a São Francisco de Assis e à espiritualidade franciscana.
A procissão não nasce como uma prática ritual para os frades da comunidade do Sepulcro, nem permanece apenas como uma “liturgia” dedicada exclusivamente ao culto dos cristãos locais, mas é destinada a todos os cristãos peregrinos que chegam à basílica. Este aspeto ajudou a preservar a origem dos santuários como património da Igreja Católica Universal. Tal é também testemunhado pela paciente e perseverante presença da comunidade dos Frades Menores no Sepulcro.
A estrutura da procissão sofreu mudanças e variações ao longo dos diversos períodos históricos, que permitiram conservar a prática da Procissão diária até aos nossos dias.
Reconhece-se à procissão uma função fortemente ligada à devoção aos lugares como “relíquias” da paixão–morte–ressurreição de Jesus Cristo, bem como às personagens protagonistas desses momentos (Maria, Mãe de Jesus, João, Maria Madalena, etc.). A Palavra de Deus aparece como elemento fundamental desta prática processional e é frequentemente proposta e relida em chave poética.
Tradição histórica e litúrgica
O antigo costume, descrito por Egéria, de percorrer todos os Lugares Santos e os da paixão–morte–ressurreição de Jesus, é vivido há séculos como uma tradição de grande importância. Egéria testemunhava que toda a comunidade presente durante a procissão formava um cortejo para acompanhar o Bispo, que se deslocava para celebrar a liturgia nos vários santuários da cidade, recitando cânticos, salmos e hinos.
Com a conquista islâmica de Jerusalém, as manifestações externas do culto cristão foram proibidas e todos os cultos passaram a realizar-se no interior dos edifícios eclesiais.
Também na época das Cruzadas esta prática teve lugar, de forma semelhante e muito simples, sobretudo depois de os Latinos terem obtido o direito de circular livremente em torno do Túmulo.
Com a chegada dos Frades Menores à Basílica (presentes no Santo Sepulcro desde há muito, mas oficialmente reconhecidos pelos Papas em 1342), estes restauraram o culto cristão nos Lugares Santos, há muito sob autoridade muçulmana, para custodiar os santuários e celebrar a liturgia. O texto mais antigo da procissão data de 1431, no diário de Mariano de Siena. A comunidade dos frades acolhia os peregrinos, introduzindo-os e guiando-os no Lugar Santo; após a entrada vespertina, os peregrinos realizavam a visita do santuário em forma processional e, depois de uma noite de oração passada na basílica, a peregrinatio concluía-se com a Eucaristia solene e comunitária celebrada pelo Guardião franciscano.
A partir do século XVI, com o aumento dos religiosos residentes no Sepulcro, mas sobretudo devido à chegada do Império Otomano, a procissão começou a tornar-se uma prática diária da comunidade, mais do que um ritual ligado à chegada dos peregrinos, perdendo assim parte do seu caráter pastoral, por evidentes fatores históricos.
Uma reforma substancial da procissão ocorreu em 1623 com o Custódio Tomás Obicini, sob cuja custódia foi publicado um processional oficial, o Ordo Processionalis.
Em 1924, o então Custódio Ferdinando Diotallevi acrescentou, entre as estações da procissão diária, a estação de Nossa Senhora das Dores no Calvário. No ano seguinte entrou em vigor uma nova versão da procissão, na qual foram introduzidas modificações nos hinos para os adequar à edição oficial do Antifonário Romano.
Itinerário
Ao som dos sinos, a comunidade dos frades dirige-se ao coro para a recitação da Liturgia das Horas; em seguida, saem do coro e inicia-se a procissão. Esta, composta por catorze estações, começa e termina no mesmo lugar, isto é, na capela do Santíssimo Sacramento ou da Aparição de Jesus Ressuscitado à sua Mãe. Participam na procissão os frades da comunidade e alguns provenientes de São Salvador.
Em cada estação recita-se ou canta-se um hino adequado ao lugar; segue-se uma antífona e a oração coleta; por fim, recitam-se um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e o Glória. Até à sétima estação a procissão é recitada em recto tono, isto é, utilizando sempre a mesma nota; a partir daí, é cantada.
Antigamente participavam também na procissão sacerdotes de outras confissões, mas esta prática caiu em desuso com o tempo.
Os frades têm também o direito de incensar e rezar diante dos altares de outras confissões cristãs.
A procissão segue este itinerário:
I. No altar do Santíssimo Sacramento
II. Junto à Coluna da Flagelação
III. No Cárcere de Cristo
IV. No altar da divisão das vestes de Cristo
V. Na Cripta do encontro da Cruz
VI. Na capela de Santa Helena
VII. Na capela da Coroação e dos Improperios
VIII. No lugar da Crucificação no Calvário
IX. No lugar onde Cristo expirou na Cruz
X. No altar de Nossa Senhora das Dores
XI. Na Pedra da Unção
XII. No glorioso Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo
XIII. No lugar da aparição de Jesus a Maria Madalena
XIV. Na capela da Aparição de Jesus Ressuscitado à sua Mãe.
Nos dias de grande solenidade na basílica, a procissão é antecipada e assume uma forma solene. Participa na procissão, juntamente com os Frades Menores, um Prelado que é solenemente acolhido na Basílica.
Ordo Processionis in Basilica Sancti Sepulcri
Horários de abertura e encerramento da Basílica do Santo Sepulcro
Horário de verão (abril – setembro): 5:00 – 21:00 todos os dias
Setembro: 5:00 – 20:30
Horário de inverno (outubro – março): 4:00 – 19:00 todos os dias
Horários extraordinários de abertura
Natal (25/12): 8:00 – 19:00
Festa da Apresentação do Senhor (2/2): 8:00 – 19:00
Quinta-feira Santa: a basílica fecha após a celebração, ou seja, às 11:00 (ou 12:00)
Sexta-feira Santa: a basílica fecha brevemente às 7:00 (ou 8:00) e permanece fechada pelo resto do dia
Sexta-feira Santa Ortodoxa: 8:45 (ou 9:45) – 20:00 (ou 21:00)
Sábado Santo Ortodoxo: a basílica permanece fechada até ao fim da celebração do Fogo Santo (15:00 ou 16:00) e depois permanece aberta até à noite do dia seguinte (Páscoa Ortodoxa)
Missa dominical
Horário de verão (abril – setembro): 6:00 – 6:30 (Missa solene em latim)
Horário de inverno (outubro – março): 5:00 – 5:30 (Missa solene em latim)
Missa ferial
Horário de verão: 6:00 – 6:30 – 7:00 – 7:30 (Missa solene em latim), sábado às 8:00
Horário de inverno: 5:00 – 5:30 – 6:00 – 6:30 (Missa solene em latim), sábado às 7:00
Procissão diária
Horário de verão: 17:00 todos os dias
Horário de inverno: 16:00 todos os dias
Reservas para Missas de sacerdotes e grupos católicos, certificados para peregrinações na Terra Santa
Franciscan Pilgrims’ Office – FPO
Tel.: +972 2 6272697
Email: fpo@cicts.org
Para informações
CIC – Christian Information Centre
(localizado dentro da Porta de Jafa, em frente à Cidadela)
Tel.: +972 2 6272692
Fax: +972 2 6286417
Email: cicinfo@cicts.org
Horários das confissões (diários)
Horário de verão: 9:00 – 12:45; 15:30 – 16:30; 18:00 – 19:00
Horário de inverno: 8:00 – 11:45; 14:30 – 15:30; 17:00 – 18:00