
No dia 8 de outubro foi celebrada em Jerusalém, no Notre Dame Center, uma Missa Solene para os consagrados e consagradas à vida religiosa, em concomitância com as celebrações jubilares em Roma.
A missa foi presidida pelo card. Pizzaballa, com a presença de mais de 200 entre freiras, padres, religiosos e religiosas de dezenas de ordens e congregações diferentes, além de chefes de igrejas, bispos e também o custodio da Terra Santa, frai Francesco Ielpo.

A assembleia jubilar recordou a imagem de um Pentecostes cotidiano: muitas línguas e pertenças que, no Espírito, aprendem a compreender-se e a buscar a unidade além das polarizações do tempo presente. Nesse contexto, a vida consagrada presta um serviço à unidade, fazendo circular um "espírito de mútua compreensão" capaz de transformar diferenças e fragilidades em um recurso evangélico para a cidade e a terra.
Segundo o card. Pizzaballa, a presença dos religiosos e religiosas cobre "360 graus" das necessidades na Palestina e em Israel: educação, cuidado, acolhimento, acompanhamento pastoral, formação e obras sociais integradas na oração e na caridade operosa. É uma rede que encontra feridas e esperanças e leva a "substância" do Evangelho a todos os âmbitos, transformando a proximidade em escolhas concretas pelos mais vulneráveis.
Os institutos masculinos e femininos, antigos e novos, contribuem com carismas complementares: contemplativos que guardam a intercessão, apostólicos que animam escolas e paróquias, congregações dedicadas à saúde, ao acolhimento, à formação e à promoção humana. Essa pluralidade é constitutiva: colunas diferentes sustentam o mesmo edifício, oferecendo à Igreja na Terra Santa um rosto credível de misericórdia e proximidade no cotidiano.

A homilia do Patriarca Latino de Jerusalém propõe um critério decisivo: não dobrar a fé a ideias ou leituras políticas, como Jonas tentado a "corrigir" Deus, mas deixar-se converter pelo olhar misericordioso do Senhor. A vida consagrada é uma escola de confiança: mais do que "compreender tudo", trata-se de confiar em Deus que guia, levanta e envia segundo seus tempos e caminhos.
A parábola de Jonas recorda que Deus não abandona a obra de suas mãos: em mar aberto como na cidade difícil, sua misericórdia precede e acompanha a missão. Para os consagrados isso significa perseverar ao lado dos que sofrem, permanecer ponte onde outros levantam muros e acreditar que uma palavra de paz ainda pode criar raízes.

Ao final, o Patriarca ofereceu uma conferência sobre a presença da Igreja na Terra Santa (Palestina, Israel, Jordânia, Chipre), ilustrando a geografia pastoral, os números essenciais de paróquias e fiéis e as necessidades mais urgentes. A leitura dos dados foi colocada a serviço do discernimento: onde consolidar, onde apoiar, onde reabrir espaços de encontro e caminhos educativos e sociais.
Na Jordânia, a principal urgência é econômica: o aumento do custo de vida e a fragilidade do trabalho pesam sobre as famílias e as escolas católicas, que são baluartes fundamentais de coesão e mobilidade social.
De particular atenção é a necessidade das comunidades de mover-se em busca de trabalho ou de uma vida digna. Nesse contexto, torna-se difícil construir, mesmo literalmente, igrejas e comunidades.

Na Palestina, cada vez mais dividida entre norte (Ramallah, Nablus, Jenin) e sul (Belém), o peso das pressões dos colonos e a falta de trabalho e peregrinações aumentam o isolamento das comunidades. A redução dos fluxos de peregrinos afeta famílias e obras, exigindo apoios extraordinários e uma pastoral de resiliência cotidiana. É relevante a violência e presença de colonos em toda a Cisjordânia, que geram medo, divisão e impossibilidade de movimento (além das dificuldades criadas pelo muro que separa os territórios israelenses dos palestinos).
Em Israel, foi destacada a divisão entre judeus, cristãos e muçulmanos e, sobretudo, o flagelo da ilegalidade, com especial preocupação pela área de Nazaré. A este desafio soma-se a questão dos migrantes, que exige acompanhamento jurídico, integração social e tutela da dignidade através de percursos pastorais dedicados.

Em Chipre, a presença eclesial é uma ponte de encontro e cuidado que sustenta comunidades pequenas, mas vivas, apoiando trabalhadores migrantes e famílias em trânsito. Em um contexto híbrido e plural, a missão se expressa na "diplomacia do cotidiano": liturgia, caridade, formação e relações de proximidade.
Entre as necessidades imediatas destacam-se o apoio às escolas e famílias, o relançamento das peregrinações como motor de trabalho e encontro, a proteção das comunidades expostas à violência e ilegalidade e caminhos de diálogo inter-religioso que desarmem polarizações. Acrescentam-se o acompanhamento dos migrantes e o investimento em jovens e leigos para enraizar o futuro e a corresponsabilidade.

Para Gaza, o Card. Pizzaballa reafirmou que a presença da Igreja não é política nem resistência organizada: é presença de Cristo, testemunho que permanece no coração do mundo ferido para guardar a dignidade de cada pessoa. Permanecer ao lado dos vulneráveis – idosos, doentes, deficientes, famílias deslocadas – significa ser Igreja que partilha, consola e serve sem deixar-se instrumentalizar por nenhum lado.

Esta presença é feita de rostos, obras e gestos cotidianos: paróquias que acolhem, religiosos e religiosas que cuidam e escutam, comunidades que rezam e mantêm uma luz acesa na escuridão, para todos sem distinção. A Igreja não se deixa puxar por nenhum lado: constrói a paz permanecendo, servindo e falando a linguagem do humano compartilhado, sinal universal em que Cristo é reconhecido nos feridos e nos pequenos.
O critério permanece evangélico: deixar-se converter pela misericórdia que recompõe, evitando esquemas ideológicos e traduzindo o Evangelho em proximidade concreta. Assim, a Igreja na Terra Santa – com a vida consagrada na linha de frente – é "um serviço a 360 graus" que escuta, educa, cura e reconstrói a confiança entre povos e gerações.
Francesco Guaraldi



