Fraternidade, convivência e aceitação: 800 anos, desde o encontro entre S. Francisco e o Sultão

Projeto cultural de coexistência entre Cristãos e Mussulmanos, em curso no Terra Santa College de Belém, dirigido a 470 estudantes de 14 a 18 anos.


O Terra Sancta College é a primeira escola fundada em Belém e, sem dúvida,  é uma das primeiras escolas na região. Ativo desde o XVI século, graças à Ordem dos Frades Menores Franciscanos, que iniciaram suas atividades educativas na cidade de Belém com dois objetivos: ensinar às crianças os princípios do Cristianismo e apostar nas línguas estrangeiras: inglês e italiano especialmente, oferecendo aos jovens a possibilidade de uma vida diferente. Hoje, a escola tem cerca de 1.180 estudantes, dos quais 62% são cristãos e pouco mais de 38% são mussulmanos. Esses números espelham a composição social da cidade de Belém e é exemplo da missão dos Franciscanos, que garantem instrução sem discriminação.

    "Somos um, somos irmãos e irmãs!" disse a professora de Inglês e Religião Mussulmana, Linda Deklallah, "e esse projeto ajuda-nos a recordá-lo. O Terra Santa College de Belém representa diariamente o encontro entre S. Francisco e o Sultão: não nos sentimos diferentes". O projeto, inciado em janeiro de 2019, tem diversos objetivos: o aumento da consciência da importância da paz, da convivência e aceitação do outro; o melhoramento da ideia da formação interativa, expressa nos workshop que os estudantes desenvolvem, seja entre eles, seja entre os professores; a publicação de um atestado de Fraternidade, convivência e aceitação de partilhar, depois, fora da escola para ser exemplo na sociedade. "Penso que esse tipo de projeto contribua a manter unida nossa comunidade" declarou Nader Madbouh, um dos estudantes envolvidos, "especialmente neste momento difícil de condições políticas e economicas especiais. Temos muitos motivos para emigrar, mas se formos conscientes do que somos, poderemos continuar vivendo em paz, como sempre havíamos feito".

    As diferentes fases do trabalho conduziram ao momento da entrega do atestado de Fraternidade. Quarta-feira, dia 30 de janeiro, na presença do Custódio da Terra Santa, Fr. Francesco Patton; do Patriarca emérito, Mons. Micheal Sabba; do Arcebispo de Sebástia, Atallah Hanna; do Múfti de Belém, Abdelmagid Ata. Além disso, havia representantes da Autoridade Palestina: o Ministro do Turismo, Rula Maaya; o Ministro para os negocios religiosos do Islão, Yousef Dias; o representante para os negócios cristãos, Hanna Issa, e o Prefeito de Belém, Tony Salman. 

    Fr. Marwan Di'des, Diretor do Terra Santa College e promotor da iniciativa, explicou que o projeto se fundamenta sobre sínteses de diferentes narrativas do encontro entre S. Francisco e o Sultão Al-Malek Al-Kamil, que se encontram nas Fontes Franciscanas. Os participantes viram também o filme "O Sultão e o Santo", feito pela UPF - Unity Production Fondation - " foi verdadeiro desafio - disse Fr. Marwan – porque os estudantes não estão acostumados a ver documentários, mas foi importante vê-lo a fim de entrar sempre mais no assunto". Durante a iniciativa houve também momentos provocativos; entre esses, a visão do filme libanês "Hala Lawain" (Agora, para onde vamos?), que fala do fanatismo religioso e leva à morte. O dia 24 de maio foi dedicado ao workshop, em que os jovens produziram um documento que testemunha a necessidade da convivência. "Nosso objetivo era de fazer compreender aos jovens que o fanatismo religioso leva apenas à morte!” explicou Fr. Marwan "para haver paz é preciso ser pessoas que buscam a paz, é preciso ser pessoas sábias. É a sabedoria que leva à paz, não só o amor fraterno".

São Francisco e o Sultão: do exemplo dessas duas figuras capazes de dialogar num momento de guerra, os jovens escreveram uma declaração, composta de dez artigos para que se possa continuar construindo uma sociedade unida e fraterna.

Essa convenção foi escrita por ocasião do VIII Centenário do encontro entre S. Francisco e o Sultão Ayyubid Al-Malek Al-Kamel, em 1219.

Cremos que:
1. Nós, seres humanos, somos todos iguais perante Deus.
2. A educação é elemento base sobre a qual se constroi a paz.
3. O conhecimento do outro é o fundamento para a tutela de nossas diferenças e para a fraternidade.
4. O conhecimento e a consciência daquilo que nos circunda, apesar de suas dificuldades, dá-nos a capacidade de sobreviver.
5. A verdadeira experiência de fé em Deus é o caminho rumo à paz.
6. As religiões monoteístas são mensagem celeste para a construção da paz.
7. A construção das verdadeiras relações humanas são o princípio fundamental para conviver.
8. Na abertura mental e aceitação do outro prevalece o respeito mútuo e o medo desaparece.
9. As iniciativas baseadas na sabedoria são fundamentais para estabelecer a paz.
10. As ações que trazem resultados concretos na vida das pessoas devem ser reforçadas.
 

Giovanni Malaspina