A serviço da paz e do diálogo desde 800 anos: uma conferência internacional para a Custódia

Os oitocentos séculos da presença franciscana na Terra Santa foram o centro da conferência internacional, com o tema “O diálogo entre culturas e religiões na promoção da paz: oitocentos anos de presença franciscana na Terra Santa”, realizada na Itália de 21 a 22 de dezembro de 2017. Organizada pelo Ministério dos Negócios Exteriores e pela Cooperação Internacional na Itália, pelo Observatório sobre as minorias religiosas no mundo e o respeito pela liberdade religiosa, pelo Custódia da Terra Santa, Instituto teológico de Assis e Pontifícia Universidade Antonianum, a conferência foi realizada em dois dias e em dois lugares diferentes, mas carregadas de significado. A primeira parte foi em Roma, centro do Cristianismo, com o tema “De S. Francisco ao Papa Francisco: a profecia num mundo reconciliado” e a segunda parte aconteceu em Assis, coração da Ordem franciscana. Ali, se falou do “Franciscanismo na Terra Santa, das origens até hoje. Palavras e gestos”.
Em Roma, o Custódio da Terra Santa, Fr. Patton, em sua conferência, acentuou como S. Francisco inverteu a ideia do homo hominis lupus, ou que « o homem é lobo para outro homem ». O conceito vem de Plauto, no terceiro século a.C., tornando-se famoso com o filósofo Hobbes, no XVII século, e foi reutilizado na época contemporânea com o Choque das Civilizações de Samuel Huntington. S. Francisco, contudo, – recordou Fr. Patton – afirmou que, diante de um homeme, há sempre um irmão « mesmo quando é adversário, bandido ou professa outra fé ». « O inimigo está somente dentro de nós », dizia o Santo de Assis. Desde então, os franciscanos primeiro, e depois, a Custódia da Terra Santa, fundada formalmente pelo Papa Clemente VI, em 1342, sempre tiveram um papel de « fraternidade » inclusiva, caraterizada pelo respeito à multiculturidade.
« Comemorar os oitocentos anos da Custodia da Terra Santa – disse por sua vez o Ministro do Exterior, o italiano Angelino Alfano – representa um ato de política externa. O diálogo não é jamais esquecido e não é sempre fácil, mas é o único caminho possível. As ocasiões para dialogar, quando se quer dialogar, sempre existerm. ».
« Frederico II e Al Malik coseguiram durante alguns decênios realizar a utopia de uma Jerusalém verdadeiramente aberta », disse o historiador Franco Cardini em sua fala. Em 1229, na verdade, derrubaram as muralhas. Uma utopia que durou pouco tempo, por causa das sucessivas invasões, mas que permanece «grande atualidade ».
Na conclusão da primeira parte dos trabalhos, o Cardeal Sandri insistiu sobre como os franciscanos representam uma força profética, que « faz riqueza da diversidade ». « Um esforço que não diz respieot só aos filhos de S. Francisco, mas a todos os que desejam a paz, porque por Jerusalém passa a paz para cada um de nós ».
Em Assis, a conferência foi iniciada no dia 22 de manhã, com o tema “O Franciscanismo na Terra Santa, das origens até hoje. Palavras e gestos”, com falas de Pe. Mauro Gambetti, Custódio do Sacro Convento; Pe. Giulio Michelini, Presidente do Instituto Teológico de Assis; Mons. Domenico Sorrentino, Bispo de Assis-Nocera Umbra-Gualdo Tadino. O Custódio da Porciúncula, Fr. Giuseppe Renda, deu as boas-vindas aos presentes explicando como Francisco, exatamente na igrejinha de Santa Maria dos Anjos tenha compreendido sua vocação, a de fazer-se arauto da paz, em seguida, ali, pôde experimentar muitas graças e, por fim, deixou este mundo como homem livre, feliz por encontrar Aquele que por amor o havia criado, sustentado e esperado. « Aquilo que exprimentou Francisco de Assis pode acontecer a cada criatura humana que se abre à graça de Deus », disse.
Seguiram-se as intervenções e a oração dos representantes das três confissões monoteístas (hebraica, muçulmana e cristã) para concluir com a recitação em comum da assim chamada “Oração simples”.